domingo, 8 de novembro de 2009

MODELO DE PLANO DE CURSO PARA ESCOLA TÉCNICA

PLANO DE CURSO


Habilitação Profissional de Técnico de Enfermagem - Nível Médio

Índice

1.Objetivos do Curso.....................................................

2.Carga horária.............................................................

3.Organização curricular............................................

4.Componentes curriculares........................................

5.Estágios de Aprendizagem........................................

6.Horários.....................................................................

7.Critérios e procedimentos de acompanhamento, avaliação, recuperação, promoção e retenção

8.Certificação e Diplomas.............................................

9.Anexo.........................................................................


CURSO TÉCNICO DE ENFERMANGEM – NÍVEL MÉDIO

1. Objetivos do Curso

1.1. - Objetivos Gerais

Proporcionar escolaridade de Educação Profissional em Enfermagem, no nível Habilitação Profissional de Técnico de Enfermagem – Nível Médio, nos termos dispostos pela legislação em vigor; e:

conduzir o estudante ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva, em sintonia com as novas demandas de uma economia aberta, globalizada e de uma sociedade democrática;

valorizar a experiência profissional e o estudo não-formal;

desenvolver a avaliação integral, contínua e cumulativa e sistemática;

oferecer aos docentes, equipe técnica pedagógica e demais funcionários, mecanismos permanentes de capacitação e aperfeiçoamento profissionais, além de condições de trabalho e remuneração compatíveis com a importância social de sua profissão;

desenvolver um padrão de ensino renovado e flexível, a partir da construção coletiva da Proposta Pedagógica da Escola, considerando, particularmente, as necessidades, expectativas e condições de vida e trabalho da clientela à qual prestará os serviços educacionais.


1.2. - Objetivos Específicos

Tem por objetivos formar Técnicos de Enfermagem de Nível Médio capazes de:

participar do planejamento e prestar cuidados integrais de enfermagem ao individuo na saúde e na doença;

participar da equipe de saúde;


2. - Carga Horária do Curso

O curso de Habilitação Profissional de Técnico de Enfermagem – Nível Médio está estruturado em módulos, progressivos e integrados, possibilitando terminalidade com direito a diploma de Técnico de Enfermagem de Nível Médio, desde que cumpra integralmente o estágio de aprendizagem e apresente certificado de conclusão do Ensino Médio cursado em estabelecimento de ensino oficialmente reconhecido.

O Curso terá a duração mínima de 1.700 (hum mil e setecentas horas), das quais, 800 (oitocentas) horas, no mínimo, destinadas a estágios de aprendizagem, orientados e supervisionados pela Escola (Art. 5o., alínea “b” da Deliberação CEE no. 25/77).

A carga horária será organizada em 02 (dois) módulos, de modo a que cumpram a carga horária para cada disciplina e conforme previsto em grade curricular. O conjunto de módulos corresponderá à habilitação profissional, com direito a diploma de Técnico de Enfermagem de Nível Médio, desde que comprovada a conclusão do Ensino Médio, em estabelecimento de Ensino regular legalmente reconhecido.



3. - Organização curricular – Módulos I e II

O currículo é composto das seguintes disciplinas –módulo I

Introdução à Enfermagem .....................................................50 h
Microbiologia e Parasitologia ................................................35 h
Anatomia Humana e Fisiologia ..............................................45 h
Farmacologia .........................................................................78 h
Nutrição e Dietética ...............................................................66 h
Enfermagem Médica ..............................................................60 h
Enfermagem Cirúrgica ...........................................................85 h
Enfermagem Materno Infantil Obstetrícia..............................48 h
Ètica Profissional ....................................................................41 h
Enfermagem Pronto Socorro ................................................100 h
Enfermagem Materno Infantil –Pediatria ..............................50 h
Doenças Sexualmente Transmissíveis .....................................70 h


ESTÁGIO Supervisionado .................................................... 500 h


O Módulo II compõem-se das seguintes disciplinas:

Enfermagem Neuro-psiquiatrica .............................................20 h
Enfermagem – Saúde Pública ................................................50 h
Noções de Administração de Unidade de Enfermagem ..........40 h


ESTÁGIO SUPERVISIONADO .............................................300 h


A elaboração do Calendário Escolar garantirá dias letivos suficientes para cumprimento da carga horária prevista nos módulos, inclusive dias de estágio de aprendizagem.

A composição do dia letivo seguirá as normas estabelecidas no Regimento Escolar, sendo especificado, no Plano Escolar, a duração da hora-aula teórico-prática prevista para cada módulo em cada turno de funcionamento, inclusive o tempo de intervalo entre as mesmas, bem como as atividades extra-classe, desde que em consonância com a Proposta Pedagógica.

O cumprimento dos estágios de aprendizagem, em consonância com o Regimento Escolar, segue explicitado neste Plano de Curso, sendo realizado em campo adequado e correspondente ao número de alunos inscritos.

Excluem-se da composição da carga horária de cada módulo:

os períodos reservados à recuperação paralela ou recuperação final;

o planejamento;

reuniões de Conselho de classe/módulo;

férias e/ou recessos escolares previstos.



4. - Componentes Curriculares

O currículo do Curso de habilitação Profissional de Técnico de Enfermagem - Nível Médio será composto pelas disciplinas indicadas na Deliberação CEE no. 25/77, em seu Artigo 7o., garantindo situações de aprendizagem com a repetição necessária ao aperfeiçoamento das técnicas e à integração dos conhecimentos teórico-práticos em relação, não só ao desempenho dessas técnicas, mas, também, à aquisição de atitudes e hábitos requeridos pela profissão, através de aulas teórico-práticas, utilizando-se, além de recursos audiovisuais, do laboratório e da sala de prática da Escola.

Visando à articulação dos conhecimentos científicos com sua aplicação nos estágios de aprendizagem, o currículo está estruturado conforme a Grade Curricular, anexada a este Plano.

Os componentes curriculares, organizados em 2 módulos e 15 disciplinas, são os abaixo relacionados, na forma de competências a serem adquiridas pelos alunos:


4.1. – Componentes Curriculares - Módulo I

4.1.1. - Introdução à Enfermagem

Ao final do curso, o aluno será capaz de:

conceituar a enfermagem;

conceituar saúde e doença;

conceituar hospital e identificar suas funções;

classificar hospital;

definir planejamento de trabalho;

identificar princípios do planejamento de trabalho (segurança, conforto e economia);

identificar os membros da equipe de saúde;

identificar os membros da equipe de enfermagem e suas respectivas funções;

executar a técnica de lavagem das mãos;

identificar os equipamentos da unidade do paciente;

relacionar os aspectos de conforto que devem ser observados na unidade do paciente;

relacionar o material necessário para limpeza da unidade do paciente;

identificar os membros em que a unidade do paciente deve ser limpa;

executar a técnica de limpeza da unidade do paciente;

identificar as formas de arrumação de cama do hospital;

enumerar o material necessário para as diferentes formas de arrumação de cama no hospital;

arrumar cama hospitalar;

identificar a importância do prontuário do paciente;

definir sinais e sintomas;

preencher os impressos do prontuário do paciente;

executar registros em enfermagem;

admitir paciente na unidade de internação;

pesar e medir o paciente;

definir sinais vitais (T. P. R. PA.);

identificar os valores normais e os fatores de variação dos sinais vitais;

identificar o material necessário pra verificação dos sinais vitais;

identificar os locais do corpo para verificação dos sinais vitais;.

executar as técnicas de verificação de cada sinal vital;

registrar, no gráfico, os valores vitais verificados no paciente;

identificar as necessidades e a importância da aplicação dos cuidados de higiene e de conforto do paciente (higiene bucal, banho, higiene íntima e do couro cabeludo);

colocar e retirar papagaio e comadre;

identificar o material necessário para higiene bucal, banho (diferentes tipos), higiene íntima e do couro cabeludo;

registrar, no relatório de enfermagem, os cuidados de higiene prestados e as anormalidades detectadas;

definir escaras;

identificar os fatores e locais predisponentes de escaras;

identificar sintomas de escaras;

aplicar cuidados de enfermagem para prevenção e tratamento de escaras;

registrar no relatório de enfermagem os cuidados dispensados e anormalidades detectadas;

definir movimentação ativa e passiva;

identificar as necessidades da movimentação ativa e passiva do paciente;

aplicar técnicas de movimentação ativa e passiva do paciente;

identificar as técnicas de restrição de movimento de paciente no leito;

identificar as ocasiões em que o paciente deve ser restringido ao leito;

registrar, no relatório de enfermagem, os cuidados de higiene prestados e as anormalidades detectadas;

identificar as diferentes maneiras de transportar o paciente de um local para outro;

executar as técnicas de transporte de paciente;

prestar auxílio ao paciente durante a sua alimentação;

registrar as observações do paciente sobre sua alimentação (queixas, aceitação, recusas, etc.);

definir esterilização, assepsia, anti-sepsia, desinfecção e contaminação;

identificar material esterilizado, limpo e contaminado;

executar a técnica de calçar e retirar luvas esterilizadas;

identificar as posições corporais do paciente para a realização de exames físicos e tratamentos;

colocar o paciente nas diferentes posições para exames físicos e tratamentos;

auxiliar o médico durante os exames físicos e tratamento do paciente;

definir curativo e identificar os diferentes tipos;

executar a técnica dos diferentes tipos de curativo;

registrar, no relatório de enfermagem, os cuidados prestados e as anormalidades observadas;

definir bandagem e identificar o material necessário para os diferentes tipos de bandagem;

Executar as diferentes técnicas de bandagens;

registrar, no relatório de enfermagem, os cuidados prestados e as anormalidades observadas;

identificar as ações do calor e do frio no organismo e suas aplicações terapêuticas;

identificar o material necessário para as aplicações quentes e frias do paciente;

executar técnicas de aplicação de calor e frio no paciente;

registrar, no relatório de enfermagem, os cuidados prestados e os efeitos conseguidos;

definir, identificar e executar sondagem gástrica, lavagem gástrica, enteroclisma, clister, tricotomia, sondagem vesical, lavagem vesical e irrigação vesical;

registrar, no relatório de enfermagem, os cuidados aplicados e as anormalidades observadas;

definir balanço hídrico e sua importância;

identificar o material necessário para o balanço hídrico;

executar o balanço hídrico;

registrar, no relatório de enfermagem, os valores encontrados e as anormalidades detectadas;

definir drogas e soluções;

citar a ação (paliativa, curativa, preventiva) dos diferentes tipos de medicamentos (hipnóticos, sedativos, diuréticos, etc.), bem como os seus efeitos gerais e colaterais no organismo;

identificar as vias de administração dos diferentes medicamentos (gastrointestinal, parenteral, tópica e respiratória);

identificar diferentes concentrações dos medicamentos, adequando-os à dosagem prescrita pelo médico;

preparar e administrar medicamentos pelas diferentes vias;

observar o paciente após a administração de medicamentos, identificando prontamente os efeitos colaterais;

calcular gotejamento de soluções parenterais;

identificar os tipos mais comuns de exames de laboratório;

identificar o material necessário para a execução das técnicas de coleta de material para diferentes tipos de exames de laboratório;

encaminhar o material colhido para laboratório para o laboratório;

registrar, no relatório de enfermagem, os cuidados dispensados e anormalidades observados;

preparar o paciente para ser transferido de unidade ou de hospital;

preparar o paciente para alta;

registrar, no relatório de enfermagem, a alta do paciente;

prestar cuidados de enfermagem a pacientes agonizantes;

identificar sinais de morte física no paciente;

identificar o material necessário para o preparo do corpo após a morte;

executar a técnica de preparo do corpo após a morte;

encaminhar o corpo para o necrotério;

executar registros no censo hospitalar;

executar balanço diário no censo hospitalar.



4.1.2. - Microbiologia e Parasitologia

Ao final do curso, o aluno será capaz de:

definir Microbiologia e Parasitologia;

classificar os microorganismos;

definir os termos técnicos mais empregados em Microbiologia e Parasitologia;

citar as diferenças entre infecção e infestação;

citar os meios de transmissão dos microorganismos;

identificar e descrever os mecanismos de resistência do organismo contra os microorganismos;

definir imunidade;

citar as principais doenças causadas por bactérias, vírus, fungos e protozoários, seus meios de transmissão e sua profilaxia;

definir e classificar helmintos;

citar as principais doenças causadas por helmintos e zoonoses, seu ciclo evolutivo, seus meios de transmissão e sua profilaxia.


4.1.3. - Anatomia Humana e Fisiologia

Ao final do Curso, o aluno será capaz de:

definir Anatomia e Fisiologia humanas;

identificar a célula como unidade funcional do corpo humano e suas respectivas estruturas;

definir tecido, órgão, aparelho, sistema e organismo;

identificar os tipos de tecidos, sua construção e funções;

identificar as estruturas e o funcionamento dos sistemas nervoso, endócrino, locomotor, sensorial e dos aparelhos digestivo, respiratório, circulatório, urinário e reprodutor;

enumerar e localizar os principais ossos e músculos do corpo humano;

reconhecer a integração do sistema nervoso com outros órgãos;

citar os órgãos hematopédicos e suas respectivas funções;

citar as características da urina e descrever o mecanismo de micção.


4.1.4. - Farmacologia

Ao final do Curso, o aluno será capaz de:

conhecer a fonte das drogas;

saber a forma de apresentação das mesmas, dosagem e super-dosagem;

interpretação de prescrição médica;

calcular a dosagem prescrita;

cuidados de administração, considerando efeitos colaterais e reações adversas;

saber avaliar sinais e sintomas quando da transficção venosa, como algias locais, rubor, edemas locais, déficit de refluxo, entre outros;

distinguir antibióticos, analgésicos e antitérmicos, antiinflamatórios, sedativos, etc.;

interpretação de bulas;

cuidados na diluição.


4.1.5. - Nutrição e Dietética

Ao final do Curso, o aluno será capaz de:

definir nutrição e diferenciar alimento de nutriente;

relacionar os grandes grupos de nutrientes e suas funções no organismo;

identificar os princípios nutritivos e seus valores para a manutenção da saúde;

identificar as funções e principais fontes e as conseqüências da carência de protídeos, glicídios, lipídios, vitaminas, sais minerais, água e celulose;

distinguir o valor calórico dos alimentos;

definir vitaminas e dar classificação;

citar as características da água potável e os cuidados para a sua purificação;

conceituar desnutrição e relaciona-la a fatores sociais, econômicos, culturais e educacionais;

citar os graus de desnutrição e suas características;

definir dietoterapia;

identificar as dietas básicas hospitalares, sua importância, emprego e constituição;

identificar dietas administradas aos pacientes;

identificar os procedimentos de trabalho relativos ao contato de Enfermagem com o Serviço de Nutrição e Dietética.



4.1.6. - Enfermagem Médica

Ao final do Curso, o aluno será capaz de:

conceituar moléstia clínica;

identificar as afecções mais comuns do aparelho respiratório: broncopneumonia, pneumonia, enfizema, asma, bronquite, edema agudo de pulmão, abcesso pulmonar;

identificar sintomas, meios de diagnóstico e formas de tratamento de afecções mais comuns do aparelho respiratório;

prestar assistência de enfermagem a pacientes portadores de afecções respiratórias;

definir drenagem postural e tapotagem;

identificar a técnica de drenagem postural e tapotagem;

identificar as afecções mais comuns no parelho digestivo e enumerar seus sintomas: gastrite, úlcera péptica, gastroenterocolite aguda, pancreatite, cirrose hepática, colecistite;

citar os meios de diagnóstico e formas de tratamento das afecções mais comuns do aparelho digestivo;

prestar cuidados de enfermagem a pacientes portadores de afecções do aparelho digestivo;

identificar as afecções mais comuns do sistema cardiovascular e enumerar seus sintomas: hipertensão arterial, flebite, enfarte do miocáridio, angina pectoris, insuficiência cardiocongestiva, miocardite chagástica, arteriosclerose, artrite reumatóide, leucemia, anemia, doença de Hodgkin;

citar os meios de diagnóstico e formas de tratamento das afecções do sistema cardiovascular;

identificar as afecções mais comuns do aparelho geniturinário e enumerar seus sintomas: glomérulo nefrite difusa aguda, insuficiência renal crônica, cistite, pielonefrite, síndrome nefrótica;

prestar cuidados de enfermagem a pacientes com afecções no sistema genito-urinário;

conceituar diálise peritonial e hemodiálise;

identificar as afecções mais comuns do sistema endócrino e enumerar seus sintomas: diabetes melitus, hipertireoidismo, obesidade, Doença de Addison, Síndrome de Cushing;

citar meios de diagnóstico e formas de tratamento das afecções endócrinas;

identificar as afecções mais comuns em Otorrinolaringologia e Oftalmologia: otite, labirintite, sinusite, conjuntivite, laringite e faringite;

criar meios de diagnóstico e formas de tratamento das afecções mais comuns em Otorrinolaringologia e Oftalmologia;

prestar cuidados de enfermagem a pacientes portadores de diferentes moléstias oftálmicas e otorrinolaringológicas;

identificar as afecções mais comuns do tecido tegumentar e enumerar seus sintomas: reações alérgicas, furunculose, eczema pênfigo, Síndrome de Stevens Johnson, psoríase;

citar meios de diagnóstico e formas de tratamento de afecções dermatológicas;

Identificar as afecções mais comuns do aparelho locomotor e enumerar seus sintomas: artrite, osteomielite.

citar meios de diagnóstico e formas de tratamento de afecções do aparelho locomotor;

identificar as afecções mais comuns do aparelho reprodutor e enumerar seus sintomas: vaginite, cervicite, mastite, salpingite;

citar meios de diagnóstico e formas de tratamento das afecções mais comuns do aparelho reprodutor feminino;

prestar cuidados de enfermagem a pacientes portadores de afecções do aparelho reprodutor feminino;

identificar as afecções mais comuns do aparelho reprodutor masculino;

citar meios de diagnóstico e formas de tratamento das afecções do aparelho reprodutor masculino;

identificar as afecções mais comuns do sistema nervoso;

citar meios de diagnóstico e formas de tratamento de distúrbios neurológicos;

prestar cuidados de enfermagem a pacientes com distúrbios neurológicos.


4.1.7. - Enfermagem Cirúrgica

Ao final do Curso, o aluno será capaz de:

definir cirurgia;

reconhecer a nomenclatura cirúrgica e relacionar os procedimentos a serem executados;

definir pré-operatório;

identificar e executar os cuidados pré-operatórios (psicológicos e físicos);

identificar a importância da tricotomia e do enteroclisma do pré-operatório;

identificar as diferentes áreas a serem tricotomizadas de acordo com a cirurgia;

identificar os cuidados pré-operatórios mediatos e imediantes;

identificar a importância do preparo da unidade para o paciente operado e executar a técnica;

identificar o material para retirada de pontos e executar a técnica;

transportar o paciente para a unidade de internação e do centro cirúrgico para a unidade de internação;

identificar e prevenir as intercorrências digestivas, circulatórias, respiratórias e urinárias no pós-operatório;

executar e anotar no relatório de enfermagem os cuidados dispensados a pacientes nas diferentes intercorrências no pós-operatório;

identificar e prevenir complicações das feridas operatórias;

relacionar a importância da sondagem gástrica e vesical no pré-operatório das afecções do trato gastro-intestinal;

relacionar a importância da lavagem e da aspiração da sondagem naso-gástrica nas cirurgias gastro-intestinais;

relacionar os diferentes tipos de dietas no pós-operatório e a importância do jejum no pré-operatório.


4.1.8. - Enfermagem Materno-Infantil – Obstetrícia

Ao final do Curso, o aluno será capaz de:

conceituar obstetrícia;

enumerar as características de uma unidade obstetrícia;

identificar as características pessoais e profissionais do auxiliar de enfermagem para atuarem no setor de obstetrícia;

relacionar os aspectos de planta física, normas e rotinas com as necessidades da gestante hospitalizada;

identificar fatores que interferem na gestação;

identificar as características de uma gestação sadia;

identificar as necessidades da gestante frente a internação;

atender adequadamente a gestante na admissão;

definir hospitalismo;

identificar sinais e sintomas do hospitalismo;

prestar cuidados de enfermagem à gestante no pré, trans e pós-operatório;

prestar cuidados de enfermagem às gestantes de acordo com as patologias apresentadas.

4.1.9.- Ética Profissional

Ao final do Curso, o aluno será capaz de:

relacionar as necessidades do homem como ser vivo, racional, social e espiritual;

identificar a causa, finalidade e os deveres inerentes à ação profissional de enfermagem no atendimento de indivíduos da comunidade;

conceituar Ética Profissional;

analisar, interpretar e aplicar as normas do Código de Deontologia de Enfermagem (Resolução COFEN 9, de 05 de outubro de 1975 e Resolução COFEN 51, de 24 de março de 1979).


4.1.10. - Enfermagem em Pronto Socorro I

Ao final do Curso, o aluno será capaz de:

reconhecer as necessidades bio-psico-sociais do paciente em atendimento de emergência;

caracterizar a unidade de Pronto Socorro e suas diferentes formas de atendimento ao paciente;

identificar as diversas patologias que levam a emergências respiratórias;

identificar sinais e sintomas que caracterizam as diversas emergências respiratórias;

prestar assistência integral de enfermagem a pacientes em emergência respiratória;

identificar as diversas patologias que levam a emergências cardio-circulatórias;


identificar sinais e sintomas que caracterizam as diversas emergências cardio-circulatórias;

prestar assistência integral de enfermagem a pacientes em emergências cardio-circulatórias;

identificar as diversas patologias que levam a emergências neurológicas, identificar sinais e sintomas e prestar assistência de enfermagem a essas emergências;

identificar sinais e sintomas que caracterizam as diversas emergências do aparelho digestivo;

prestar assistência integral de enfermagem a pacientes em emergência por distúrbios metabólicos;

identificar as diversas intoxicações exógenas que levam à emergência;

identificar sinais e sintomas que caracterizam as diversas intoxicações exógenas;

prestar assistência integral de enfermagem em emergência por intoxicação exógena;

identificar as diversas patologias mentais que levam à emergência;


identificar sinais e sintomas que caracterizam os diversos distúrbios mentais que levam à emergência;

prestar assistência integral de enfermagem a pacientes em emergência por distúrbios mentais;

identificar as diversas patologias do aparelho reprodutor que levam à emergência;

identificar sinais e sintomas que caracterizam os distúrbios do aparelho reprodutor que levam à emergência;

prestar assistência integral de enfermagem do aparelho reprodutor;

manusear e manter limpos os equipamentos de emergência do Pronto Socorro;

citar as patologias do aparelho locomotor que levam à emergência;

citar os sinais e sintomas que caracterizam as emergências do aparelho locomotor;

prestar assistência de enfermagem emergente a pacientes com distúrbios do aparelho locomotor;

identificar sinais e sintomas que caracterizam as diversas emergências respiratórias;

prestar assistência integral de enfermagem a pacientes em emergência respiratória;

identificar as diversas patologias que levam à emergência cárdio-circulatória;

identificar sinais e sintomas que caracterizam as diversas emergências cárdio-circulatórias;

prestar assistência integral de enfermagem a pacientes em emergência cárdio-circulatória;

identificar as diversas patologias que levam à emergência neurológica, identificar sinais e sintomas e prestar assistência de enfermagem a essas emergências;

identificar as diversas patologias do aparelho digestivo que levam à emergência;

identificar sinais e sintomas que caracterizam as diversas emergências do aparelho digestivo;

prestar assistência integral de enfermagem a pacientes em emergência por distúrbios metabólicos;

identificar as diversas intoxicações exógenas que levam à emergência;

identificar sinais e sintomas que caracterizam as diversas intoxicações exógenas;

prestar assistência integral de enfermagem de emergência por intoxicação exógena;

identificar as diversas patologias mentais que levam à emergência;

identificar sinais e sintomas que caracterizam os diversos distúrbios mentais que levam à emergência;

prestar assistência integral de enfermagem a pacientes em emergência por distúrbios mentais;

identificar as diversas patologias do aparelho reprodutor que levam à emergência;

identificar sinais e sintomas que caracterizam os distúrbios do aparelho reprodutor que levam à emergência;

prestar assistência integral de enfermagem do aparelho reprodutor;

manusear e manter limpos os equipamentos de emergência do Pronto Socorro;

citar as patologias do aparelho locomotor que levam à emergência;

citar os sinais e sintomas que caracterizam as emergências do aparelho locomotor.


4.1.11. - Enfermagem Materno Infantil – Pediatria

Ao final do Curso, o aluno será capaz de:

conceituar Pediatria;

enumerar as características de uma unidade pediátrica;

identificar as características pessoais e profissionais do auxiliar de enfermagem para atuarem no setor de pediatria;

relacionar os aspectos da planta física, normas e rotinas com as necessidades da criança hospitalizada;

identificar fatores que interferem no crescimento e desenvolvimento de cada fase da criança;

identificar as características de uma criança sadia;

identificar as necessidades da criança doente, face à internação;

atender adequadamente a criança e a família na admissão;

definir hospitalismo;

identificar sinais e sintomas do hospitalismo;

prestar cuidados de enfermagem a crianças no pré-operatório;

identificar esquema e imunização da criança de acordo com o Sistema do Ministério da Saúde;

identificar e aplicar as técnicas de higiene e conforto a crianças nas diferentes faixas etárias;

preparar a unidade da criança;

identificar e aplicar técnicas especiais de hidratação e alimentação a crianças nas diferentes faixas etárias;

identificar e aplicar técnicas especiais em enfermagem pediátrica;

identificar e aplicar as técnicas de preparo e administração de medicamentos em pediatria;

prestar cuidados de enfermagem a crianças com diarréia, anorexia, constipação, vômitos, candidíase e assaduras.


4.1.12. - Doenças Sexualmente Transmissíveis

Ao final do Curso, o aluno será capaz de:

identificar as principais Doenças Sexualmente Transmissíveis;

orientar sobre a prevenção das Doenças Sexualmente Transmissíveis;

identificar os principais agentes etiológicos causadores de doenças sexualmente transmissíveis;

identificar e aplicar técnicas de enfermagem de acordo com a patologia;

coletas de materiais para exames laboratoriais;

apoio e conforto ao paciente;

conhecimento relativo das doenças de notificação obrigatória.



4. 2. - Módulo II

4. 2.1. - Enfermagem em Neuropsiquiatria

Ao final do Curso, o aluno será capaz de:

identificar sinais e sintomas nos pacientes portadores de distúrbios mentais;

citar os meios de diagnóstico e formas de tratamento dos distúrbios neuropsiquiátricos;

enumerar e classificar os distúrbios mentais;

prestar cuidados de enfermagem para pacientes com distúrbios neuropsiquiátricos;

assistir o paciente nas emergências psiquiátricas;

orientar os familiares sobre a importância na participação nos programas de tratamentos;

proporcionar meios de reintegração paciente-sociedade.



4. 2.2. - Enfermagem em Saúde Pública

Ao final do Curso, o aluno será capaz de:

conhecer o histórico de Saúde Pública no Brasil;

reconhecer e diferenciar surto, epidemia, pandemia;

conhecer o sistema de imunização e vários tipos de doenças;

cuidados e manuseio de pacientes portadores de moléstias infecto-contagiosas;

elaborar cuidados relativos a higiene básica;

colaborar (e incentivar) com os fatores de saneamento básico bem como orientações sobre a importância da promoção à saúde;

identificar conhecimento relativo das doenças de notificação obrigatória.


4.2.3. - Noções de Administração de Unidade de Enfermagem

Ao final do Curso o aluno será capaz de:

identificar os princípios básicos de administração hospitalar aplicada à enfermagem;

elaborar planos de cuidados de enfermagem;

auxiliar na elaboração do inventário de materiais, equipamentos e medicamentos;

cuidados e manuseios de pacientes portadores de moléstias infecto-contagiosas;

auxiliar no preparo da escala de fola e férias do pessoal de enfermagem;

orientar e supervisionar o trabalho de enfermagem em grau auxiliar.



5. - Estágios de Aprendizagem


Os estágios de aprendizagem, parte essencial do Curso, serão obrigatórios e visam treinar os alunos nas técnicas de trabalho relacionadas aos objetivos específicos dos conteúdos a que se referem, assim como propiciar vivência de situações concretas de trabalho, onde desenvolverão uma postura profissional adequada. O acompanhamento do estágio será feito pelo Coordenador de Estágios da Escola e docentes.

Os estágios constantes da estrutura curricular do Curso serão realizados em hospitais ou em outras unidades médico-sanitárias, com duração de, no mínimo, quatro horas diárias e garantido através de convênio comprobatório firmado entre a Escola e a unidade médico-sanitária, em documento arquivado na Escola.

Os estágios de aprendizagem serão orientados e supervisionados por Enfermeiros, na proporção de 01 (hum) para cada grupo de 10 (dez) alunos, não podendo, os Enfermeiros, no mesmo horário, exercer atividades de chefia de unidades ou outras, estranhas ao estágio. Em casos especiais, devidamente justificadas perante as autoridades superiores competentes, poder-se-á admitir até 15 (quinze) alunos para cada Enfermeiro.

O campo de estágio deverá oferecer as condições necessárias quanto a organização, equipamentos e utilização das técnicas, ou deverá aceitar que a Escola modifique tudo o que for necessário, com o objetivo de atender ao ensino, elevando o padrão da instituição e, conseqüentemente, beneficiando os seus pacientes.

Antes de iniciar o estágio de aprendizagem, os alunos serão treinados, em grupos pequenos, nas diversas técnicas, tomando conhecimento do material a ser usado, observando-se todos os cuidados de assepsia. Esse treinamento será feito na sala de prática da Escola que contém, em conjunto com o laboratório, mobiliário de enfermagem básica, que o aluno também encontrará no hospital ou outra unidade médico-sanitária.

As atividades da profissão, mais características, a serem treinadas, são:

execução dos cuidados de higiene, conforto e tratamento simples aos pacientes hospitalizados;

cooperação com o Enfermeiro e o Técnico nos cuidados integrais de Enfermagem;

preparo do material e equipamento;

interpretação de rotina e exames complementares pra pacientes e familiares;

execução de tratamentos pré-determinados, preparo e assistência ao paciente no exame médico nas unidades sanitárias.



6. - Horários do Curso

O curso será oferecido em 3 períodos: matutino, vespertino e noturno, em função da necessidade e da conveniência dos alunos inscritos.

As aulas serão ministradas nos seguintes períodos:

matutino – das 8:00 horas até as 12:00 horas, com 01 intervalo de 15 minutos;
vespertino – das 13:30 horas até as l7:30 horas, com 01 intervalo de 15 minutos;
noturno – das 19:00 horas até as 23:00 horas, com 01 intervalo de 15 minutos.

As aulas terão duração de 45 minutos e o seu conjunto corresponderá ao total de horas de aulas previstas para os módulos e para o Curso.

Poderão ser ministradas aulas regulares, complementares, de reposição ou de temas extra-curriculares nos dias de sábado.

Aulas com conteúdo extra-curricular, em classe ou em campo, em função da sua natureza (palestras,
visitas, excursões) poderão ser programadas em quaisquer dias e horários da semana, sempre em função da disponibilidade e conveniência dos alunos e dos patrocinadores/ministradores das mesmas.



7. - Critérios e Procedimentos de Acompanhamento, Avaliação, Recuperação, Promoção e Retenção


7.1. - – Acompanhamento e Avaliação

O processo de avaliação do ensino e aprendizagem disciplina o acompanhamento e a verificação do desempenho escolar do aluno em relação aos objetivos propostos pelo Curso, bem como o perfil desejado, devendo ser realizado de forma contínua e cumulativa, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos (Art. 24, LDB 9.394/96), tendo como objetivos:


diagnosticar dificuldades de aprendizagem, tendo em vista a recuperação do aluno e replanejamento dos trabalhos escolares;

possibilitar ao aluno uma auto-avaliação sobre seu rendimento escolar, de modo a interessa-lo em seu próprio progresso e aperfeiçoamento;

obter informações para decidir sobre a promoção do aluno e reorganização das classes;

servir ao professor como elemento de reflexão contínua sobre a prática educativa.

A verificação do desempenho escolar, a recuperação, a promoção e a retenção dos alunos levará em conta:

avaliação de todos os trabalhos realizados pelo aluno, sob a orientação do professor e provas adequadas, de acordo com a natureza da disciplina, além da observação constante do aluno pelo docente, em especial nas aulas práticas e subsidiada, quando necessário, por informações da Equipe técnico-pedagógica;

esforço pessoal e atitude do aluno;

Os resultados das avaliações serão expressos em sínteses avaliatórias através de menções:

ÓTIMO
SUFICIENTE
INSUFICIENTE,

verificados da maneira seguinte:

ÓTIMO – aproveitamento igual ou superior a 80% (oitenta por cento) do conteúdo específico;

SUFICIENTE – aproveitamento igual ou superior a 50% (cinqüenta por cento) do conteúdo específico;

INSUFICIENTE – aproveitamento inferior a 50% (cinqüenta por cento) do conteúdo específico.

Poderão, alternativamente, ainda, ser conferidas notas às avaliações dos alunos, numa escala de zero a dez, sem fracionamento, resultando em média aritmética que equivalerá às menções, conforme segue:

média igual ou maior que 8,0 (oito) – menção ÓTIMO;

média igual ou maior que 5,0 (cinco) – menção SUFICIENTE;

média menor que 5,0 (cinco) – menção INSUFICIENTE.


7. 2. – Controle de Freqüência

A Escola fará o acompanhamento e controle sistemáticos da freqüência dos alunos às aulas, mediante apuração de assiduidade emitida pelo professor, em documento próprio, de acordo com registros em seu Diário de Classe, respeitando o cronograma estabelecido no Calendário Escolar.

O controle de freqüência será efetuado sobre o total de horas-aula de cada disciplina, sendo exigido, conforme disposto na LDB 9.394/96, o comparecimento de no mínimo 75% (setenta e cinco por cento) de aulas de cada disciplina.


7.3. - Recuperação

A recuperação constitui parte integrante do processo de ensino e aprendizagem e será realizada, preventiva ou corretivamente:


de forma contínua, no decorrer do período letivo com programação específica, prevista no planejamento, em períodos diferentes do das aulas regulares e com freqüências obrigatórias;

serão atividades de recuperação as orientações de estudos e outras atividades didáticas, a serem desenvolvidas pela Escola, através dos docentes para isso designados;

as menções de avaliação somente serão atribuídas após encerrado o processo de avaliação paralela;

ao final do período letivo será oferecida recuperação intensiva ao aluno de aproveitamento insuficiente em até 2 (duas) disciplinas, desde que apresente aproveitamento global que demonstre a viabilidade de recuperação, conforme os critérios a serem estabelecidos pela Equipe técnico-pedagógica e Direção.

7.4. - Promoção e Retenção

Será considerado promovido o aluno que:

obtiver freqüência igual ou superior a 75% (setenta e cinco por cento) em todas as disciplinas; e aproveitamento, no final do período letivo considerado, SUFICIENTE ou ÓTIMO.

Será considerado retido, na disciplina, o aluno com freqüência inferior a 75% (setenta e cinco por cento) ou cujo aproveitamento, ao final do módulo, seja inferior à média de aprovação exigida pela Escola em cada uma delas, considerados os processos de recuperação paralela e intensiva.

O aluno poderá matricular-se novamente na disciplina em que foi retido, sendo dispensado de cursar as demais disciplinas do módulo.

Será considerado retido, no módulo, o aluno com freqüência inferior a 75% (setenta e cinco por cento) e com aproveitamento inferior à média de aprovação exigida pela Escola, em todas as disciplinas.

7.5. - Aproveitamento de Conhecimentos Profissionais e Estudos Anteriores

A matrícula inicial poderá ocorrer em qualquer módulo, por meio de aproveitamento de conhecimentos profissionais e estudos anteriores, como segue:

da educação profissional básica, através de avaliação das competências adquiridas na Escola e/ou no trabalho, a ser realizada pela Escola, de acordo com os critérios estabelecidos na

Proposta Pedagógica e no Regimento Escolar e mediante requerimento do interessado, dirigido ao Diretor da Escola;

de disciplinas afins, de caráter profissionalizante, cursadas na parte diversificada do Ensino Médio, de igual valor ao curso pretendido, independentemente de exames específicos, mediante requerimento do candidato e apresentação de histórico escolar (parágrafo Único do Art. 5o. do Decreto 2.208/97);

de certificados de qualificação obtidos em cursos profissionalizantes de enfermagem de nível técnico ou exames da Secretaria de Educação;

7.6. - Classificação e Reclassificação

A matrícula de alunos da própria Escola poderá ocorrer, por classificação, com base no rendimento escolar e na freqüência, resultando a cada término de módulo em promoção, retenção, promoção parcial ou retenção parcial, de acordo com os critérios estabelecidos no Regimento Escolar.

A matrícula poderá ocorrer por reclassificação, em modulo mais avançado que o anteriormente cursado, mediante:

requerimento do próprio aluno ou responsável, dirigido ao Diretor da Escola;
proposta apresentada pelos professores após análise do Conselho de Classe/módulo;
avaliação de competências, conforme disposto no Regimento Escolar – CAPÍTULO VI.

A reclassificação deverá ocorrer, no máximo, até o final do primeiro mês de cada módulo.

7. 3. - O Conselho de Classe/módulo

Formado pela Equipe técnico-pedagógica e por todos os professores de cada classe/módulo, será responsável pelo processo coletivo de avaliação do ensino e aprendizagem, tendo como objetivo, decidir sobre o desempenho do aluno, como segue:

avaliar o desempenho da classe e confrontar os resultados de aprendizagem quanto às diferentes disciplinas;

identificar os alunos de aproveitamento insatisfatório, encaminhando-os a estudos de recuperação;

analisar critérios de avaliação utilizados e propor alterações, se necessário;

coletar informações a respeito das necessidades e interesses dos alunos, utilizando-as na resolução dos problemas sugeridos e, em especial, na avaliação de rendimento dos alunos;

avaliar as relações professor-aluno interferentes na aprendizagem;

identificar alunos de ajustamento insatisfatório, na classe e na Escola, encaminhando-os à Equipe técnico-pedagógica;

apreciar recursos interpostos por alunos ou seus responsáveis, relativos à verificação do rendimento escolar, tomando decisões ou encaminhando a instância superior.

7.4. - Recuperação

A recuperação constitui parte integrante do processo de ensino e aprendizagem e será realizada, preventiva ou corretivamente:

de forma contínua, no decorrer do período letivo com programação específica, prevista no planejamento, em períodos diferentes do das aulas regulares e com freqüências obrigatórias;

serão atividades de recuperação as orientações de estudos e outras atividades didáticas, a serem desenvolvidas pela Escola, através dos docentes para isso designados;

as menções de avaliação somente serão atribuídas após encerrado o processo de avaliação paralela;

ao final do período letivo será oferecida recuperação intensiva ao aluno de aproveitamento insuficiente em até 2 (duas) disciplinas, desde que apresente aproveitamento global que demonstre a viabilidade de recuperação, conforme os critérios a serem estabelecidos pela Equipe técnico-pedagógica e Direção.

7.5 - Promoção e Retenção

Será PROMOVIDO o aluno que obtiver, no mínimo, a menção SUFICIENTE – correspondente à média 5,0 (cinco) e cuja freqüência for igual ou superior a 85% (oitenta e cinco por cento) do total das aulas ministradas.


Será RETIDO o aluno que obtiver a menção INSUFICIENTE, mesmo após passar pelo recurso da recuperação e/ou não tiver freqüentado, no mínimo, 85% (oitenta e cinco por cento) das aulas ministradas.

8. - Certificados e Diplomas

Caberá à Escola, sob a responsabilidade do Diretor, assegurar a legalidade, a regularidade e autenticidade da vida escolar dos alunos, nos termos do Regimento Escolar.

Será conferido Diploma de Técnico de Enfermagem de Nível Médio ao aluno concluinte do Curso de Habilitação de Técnico de Enfermagem de Nível Médio, desde que cumpra integralmente o estágio de aprendizagem e apresente certificado de conclusão do Ensino Médio.

Ao aluno que não apresentar o certificado de conclusão do Ensino Médio, será conferido o histórico escolar com a devida justificação e Certificado de Qualificação Profissional.

9. - ANEXO

- Calendário Escolar

O Calendário Escolar do curso oferecido se encontra anexado ao presente Plano de Curso.


São Paulo,


_____________________________
Diretor (nome, carimbo e assinatura)







MODELO DE PLANO DE CURSO PARA ESCOLA TÉCNICA

terça-feira, 14 de julho de 2009

A Ratoeira

Muitas vezes achamos que o problema dos outros não nos afeta, mas lembre-se tudo pode mudar, veja o exemplo...
A RATOEIRA

Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que poderia haver ali. Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado. Correu ao pátio da fazenda advertindo a todos:
__ Há uma ratoeira na casa. Uma ratoeira na casa ! ! !
A galinha disse:
__ Desculpe-me sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda
O rato foi até o porco e lhe disse:
__ Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira ! ! !
__ Desculpe-me sr. Rato, disse o porco, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser rezar. Fique tranqüilo que o senhor será lembrado nas minhas preces.
O rato dirigiu-se então à vaca, ela lhe disse:
_ O que sr. Rato? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não!
Então o rato voltou para casa, cabisbaixo e abatido, para encarar a ratoeira do fazendeiro. Naquela noite ouviu-se um barulho, como o de uma ratoeira pegando sua vítima. A mulher do fazendeiro correu para ver o que tinha pego. No escuro, ela viu que a ratoeira havia pego a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher. O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital. Ela voltou com febre
Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor do que uma canja de galinha. O fazendeiro pegou o seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal e matou a galinha.Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la. Para alimentá-los o fazendeiro matou o porco.
A mulher não melhorou e acabou morrendo Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca, para alimentar todo aquele povo...
Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se que, quando há uma ratoeira na casa, toda a fazenda corre risco
O problema de um é problema de todos.

(autor desconhecido)

sábado, 20 de junho de 2009

PRÁTICA E METODOLOGIA DE ENSINO

"O nascimento do pensamento
é igual ao nascimento de uma criança:
tudo começa com um ato de amor.
Uma semente há de ser depositada no ventre vazio.
E a semente do pensamento é o sonho.
Por isso os educadores [e educadoras],
antes de serem especialistas em ferramentas do saber,
deviam ser especialistas em amor: intérpretes de sonhos."
Rubem Alves

O ensino é uma forma sistemática de transmissão de conhecimentos utilizada pelos humanos para instruir e educar seus semelhantes, geralmente em locais conhecidos como escolas.
As transformações tecnológicas em aumento exponencial estão exigindo da Educação escolar a formulação de sucessivas e constantes modificações nas propostas pedagógicas vigentes, bem como dos métodos de ensino.
O momento atual pode ser considerado como um divisor de águas para os métodos de ensino, ultrapassando os tradicionais e consolidando os novos, que por sua vez precisam de constante desenvolvimento, devida interação entre os educandos e o mundo, que interferem no processo de aprendizagem.
Embora em muitas partes do mundo ainda existam dificuldades no ensino e no partilhamento da informação, estas já estão sendo vencidas principalmente nos grandes centros onde existem maiores condições de acesso à informação e à cultura escolarizada.
Ciências que dão suporte teórico: Psicologia, Sociologia, Filosofia e Antropologia.

Teorias:

Os psicólogos educacionais desenvolvem e aplicam diversas teorias de ensino e aprendizagem que pretendem explicar como se processa a aprendizagem. Estas teorias baseiam-se em princípios diversos: científicos, mas também éticos e filosóficos. Entre as teorias mais referidas e aceites encontramos:

• Sócio-Construtivismo
• Cognitivismo
• Construtivismo
• Cognitivismo social
• Teorias motivacionais
• Teorias do desenvolvimento
• Behaviorismo

Construtivismo: -
É uma das correntes teóricas empenhadas em explicar como a inteligência humana se desenvolve partindo do princípio de que o desenvolvimento da inteligência é determinado pelas ações mútuas entre o indivíduo e o meio.
Esta concepção do conhecimento e da aprendizagem que derivam, principalmente, das teorias da epistemologia genética de Jean Piaget e da pesquisa sócio-histórica de Lev Vygotsky parte da idéia de que o homem não nasce inteligente, mas também não é passivo sob a influência do meio, isto é, ele responde aos estímulos externos agindo sobre eles para construir e organizar o seu próprio conhecimento, de forma cada vez mais elaborada.
Nesta concepção o conhecimento não se traduz em atingir a verdade absoluta, em representar o real tal como ele é, mas numa questão de adaptação (noção trazida da biologia) do organismo a seu meio ambiente. Assim, o sujeito do conhecimento está o tempo todo modelando suas ações e operações conceituais com base nas suas experiências. O próprio mundo sensorial com que se depara é um resultado das relações que se mantém com este meio, de atividade perceptiva para com ele, e não um meio que existe independentemente.
Na aquisição de novos conhecimentos o ser humano, segundo Piaget, adota dois procedimentos: a assimilação e a acomodação. Estes dois processos buscam restabelecer um equilíbrio mental perturbado pelo contato com um dado incompatível com aquilo que se conhece até então (princípio de equilibração). No primeiro caso aquilo com que se entra em contato é assimilado por um esquema já existente que então se amplia, no segundo, o dado novo é incompatível com os esquemas já formulados e então se cria um novo esquema acomodando este novo conhecimento. Este novo esquema será então ampliado na medida em que o indivíduo estabelecer relações com seu meio.

Cognitivismo social:-
É o estudo do ser humano no seu pensamento e ação social. É uma teoria da aprendizagem baseada na idéia de que as pessoas aprendem através da observação dos outros e que os processos do pensamento humano são centrais para se compreender a personalidade:
• As pessoas aprendem pela observação dos outros.
• A aprendizagem é um processo interno que pode ou não alterar o comportamento.
• As pessoas comportam-se de determinadas maneiras para atingir os seus objetivos.
• O comportamento é auto-dirigido (por oposição a determinado pelo ambiente)
• O reforço e a punição têm efeitos indiretos e impredizíveis tanto no comportamento como na aprendizagem.
• Os adultos (pais, educadores, professores) têm um papel importante como modelos no processo de aprendizagem da criança.

Visão Sócio-Construtivista
As idéias de Vygotsky sobre a construção da escrita e suas implicações para a prática pedagógica são o eixo principal desta Teoria.
Seu ponto de partida, encontra-se no valor determinante que é dado por VYGOTSKY e pelos vygotskianos à interação social - e, logo, no caso da escola, às intervenções pedagógicas e à instrução - na construção de todo e qualquer conhecimento, incluídos o uso e o conhecimento sobre a escrita.
A marca principal, o traço diferencial da teoria vygotskiana da aprendizagem em relação a outras teorias da aprendizagem ou do desenvolvimento seja justamente a crença de que é na interação interpessoal que primeiramente se constrói o conhecimento que virá a ser intrapessoal (desenvolvimento real, autonomia, apropriação).
Lembremos que para VYGOTSKY a escrita não era somente uma grafia, um gesto que marca, representando um som da fala, mas, além disso, uma linguagem particular, diversa da fala e capaz de significar.
Aprender a escrever, alfabetizar-se, é mais do que aprender a
grafar sons; ou mesmo, mais do que aprender a simbolizar graficamente um universo sonoro já por si mesmo simbólico. Aqui, aprender a escrever é aprender novos modos do discurso (gêneros); novos modos de se relacionar com interlocutores, muitas vezes, virtuais; novos modos de se relacionar com temas e significados; novos motivos para comunicar em novas situações.
Aprender a escrever é, aqui sim, construir uma nova inserção cultural.
Assim, na construção da escrita, a criança tem muito mais a aprender do que as letras: uma infinidade de gêneros viabilizados pela escritura se abrem à criança quando ela começa a adentrar o mundo da escrita. Uns mais complexos e abstratos do que outros.

Técnicas:

“Falei na aula passada sobre Interesse, Motivação e Incentivação. Fiz um teatro sobre o assunto. Duas professoras: saí, entrei na sala - Boa taaarde! E fiz a professora que incentiva os alunos. Saí de novo, arrumei os cabelos e entrei; os alunos acharam graça; fiz a professora que não incentiva os alunos. Perguntei qual das duas haviam gostado: - A primeira!. Assim, não há indisciplina. Falei sobre jogos, brincadeiras, atividades, contei estórias dramatizadas. Se a aula for atraente, interessante não haverá indisciplina”.(Depoimento de uma professora)

Neste tipo de senso comum, a técnica didática evita que os alunos “durmam” na sala de aula, controla o problema da indisciplina e transmite o conteúdo conceitual não permitindo colocações divergentes, nem mesmo um aprofundamento reflexivo sobre o tema em questão. A subjetividade conceitual dos alunos não é chamada a se expôr. A sua subjetividade é moldada por concepções dominantes no contexto de uma situação “agradável” criada pela técnica. De modo que o tempo em sala de aula não só se torna “agradável” como também não cria espaço à problematização do conteúdo.

O tecnicismo didático tem se dedicado a procurar formas de controle das condições ambientais, especializando-se em inventar materiais instrumentais, propondo-se resolver principalmente os problemas motivacionais e de disciplina. Não há referência substancial ao conteúdo, uma vez que se pressupõe que este não se discute, já está definido. As próprias aulas de didática serviriam para repassar normas de funcionamento das técnicas, almejando a eficiência e a eficácia. O referencial teórico da didática permanece subentendido, um dado fora de discussão, do qual não se duvida. Cabe ao professor apenas dominar as condições circunstanciais, observar conhecimentos de psicologia comportamental e enunciar seus objetivos com clareza e consistência, isto é, segundo os princípios da objetividade, racionalidade e neutralidade: Nas palavras de Veiga: “Nesta perspectiva, os conteúdos dos cursos de Didática centram-se na organização racional do processo de ensino, isto é, no planejamento didático formal, na elaboração de materiais instrucionais, nos livros didáticos descartáveis. Sua preocupação básica é a descrição e especificação comportamental e operacional dos objetivos, o desenvolvimento dos componentes da instrução, a análise das condições ambientais, a avaliação somativa, a implementação do processo de ensino e a supervalorização dos meios sofisticados”(VEIGA, 1994: 60).

A técnica didática deveria cumprir em educação o papel que as técnicas em geral desempenham na dominação do homem e da natureza. Não por acaso, simultaneamente à difusão dos objetivos comportamentais de Bloom, as psicologias pavloviana e skinneriana desenvolviam seus experimentos de controle comportamental, cujos princípios ainda hoje são utilizados com sucesso no condicionamento de cães de guarda.

Neste contexto, o predomínio da forma sobre o conteúdo exigia o cuidado na aplicação da técnica, a minimização do conteúdo e da dimensão intersubjetiva: “Debates, discussões, questionamentos são desnecessárias, assim como pouco importam as relações afetivas e pessoais dos sujeitos envolvidos no processo ensino-aprendizagem”(LUCKESI, 1994:62). Ao tecnicismo não lhe interessava desenvolver a capacidade reflexiva: “Seu interesse imediato é o de produzir indivíduos ‘competentes’ para o mercado de trabalho, transmitindo, eficientemente, informações precisas, objetivas e rápidas” (IDEM, 1994: 61).

O papel reservado ao professor de didática (no tecnicismo) era o de não pensar. Se o contexto geral estava previamente dado, caberia a ele executar o programa instrutivo em função do contexto imediato, utilizando conhecimentos afins para garantir o êxito ao que fora planejado. O seu pensamento estava delimitado pela chamada razão instrumental de que fala Habermas (1988). A estrutura e a organização do sistema educacional cristalizavam essa racionalidade rígida.

A técnica tornou-se indispensável em nossa vida: carros, geladeiras, microondas, máquinas de lavar, computadores, celulares, técnicas de irrigação, de plantio, técnicas de construção de prédios, tecnologias médicas, técnicas didáticas. Para onde quer que se volte, o indivíduo está impregnado de técnicas e com certeza tem uma vida mais confortável, mas ao mesmo tempo que lhe servem, elas o burocratizam, escravizam-no e o alienam.
É claro que não há como negar a técnica nesta etapa da civilização. Desde a primeira pedra lascada, ela tem a mesma idade do homem e vem-se aperfeiçoando ao longo do seu desenvolvimento. Um sistema técnico é um “conjunto de estratégias operacionais mobilizado para realizar um fim desejado. Isto inclui tanto o pensamento e o imaginário como ações sociais voltadas para o efeito definido. Podemos falar também, neste caso, de uma técnica de ação” (BRÜSEKE, 1998). Técnica sempre significa ação. Técnica quer dizer a aplicação de meios que, consciente e planejadamente, estão orientados pela experiência e pela reflexão. São os meios apropriados para chegar a determinado resultado. A técnica é expressão universal do mundo mecanizado.

Similarmente, como intermediadoras da ação do professor junto aos alunos, as técnicas didáticas são sistematizações formuladas segundo o conceitual teórico do professor que as maneja. Portanto, elas embutem em si o fundamento ideológico que as determina. Ou seja, a essência das técnicas está em nossa maneira de ver (Finkielkraut, 1996).

A dominação dos homens em função do macrossocial, sempre tem encontrado resistência no microssocial (indivíduo). O “imprinting” social nunca é de tal forma completa que não deixe espaço para a liberdade de construção do indivíduo, a sua auto-eco-organização. Nos anos de autoristarismo, apesar da difusão e “oficialização” da pedagogia tecnicista, sempre houve quem encontrasse formas de expressão para a sua autonomia: “Eu não acreditava num planejamento de todo um semestre onde os passos estavam rigorosamente delineados e que em momento algum se quebraria. Resolvi trabalhar somente com o comportamento final. Eu trabalhava nas práticas de ensino, crivada de críticas de outros professores, a tal ponto que quando da renovação do meu contrato de professor colaborador, a coordenadora, aceitando o argumento de que eu não estava sendo ética, criou uma comissão para observar minhas aulas.

A autonomia do ser humano é um processo em construção nas suas múltiplas relações. Constrói a si nas relações da vida. Toma as características de sua rede de articulações, família, comunidade, profissão. A autonomia se fortalece ao longo da vida. Inicia-se pela autonomia predominantemente emocional da criança e se transforma em autonomia referendada teoricamente. Paulo Freire foi um educador que sempre insistiu nessa visão de subjetividade e autonomia. Dizia ele que somos condicionados, mas não determinados (FREIRE, 1996). Freire nunca relegou o lado subjetivo do ser humano em nome da racionalidade. Sempre entendeu que a razão não basta para dar conta da totalidade dos fatos e atos de nossa vida. Pensando no magistério, ele afirmava: “É impossível ensinar sem a capacidade forjada, inventada, bem cuidada de amar (...). É preciso ousar, no sentido pleno desta palavra, para falar em amor sem temer ser chamado de piegas, de meloso, de a-científico, senão anti-científico. É preciso ousar para dizer, cientificamente e não bla-bla-blantemente, que estudamos, aprendemos, ensinamos, conhecemos com o nosso corpo inteiro. Com os sentimentos, com as emoções, com os desejos, com os medos, com as dúvidas, com a paixão e também com a razão crítica. Jamais com esta apenas. É preciso ousar para jamais dicotomizar o cognitivo do emocional. É preciso ousar para ficar ou permanecer ensinando ao risco de cair vencidos pelo cinismo. É preciso ousar, aprender a ousar, para dizer não à burocratização da mente a que nos expomos diariamente. É preciso ousar para continuar quando às vezes se pode deixar de fazê-lo, com vantagens materiais” (FREIRE,1993:10).

O rumo seguido pelo país no pós-64 deixou profundas marcas. Os homens vivem hoje uma justaposição de informações. O sistema educacional os vê como mão de obra a serem formadas o mais rápido, eficaz e racionalmente, dentro da lógica fragmentária do mundo e do trabalho. Os indivíduos, transformados em objeto, não mais compreendem o mundo, deprimidos, não mais encontram uma razão de vida. A camada popular inclusive busca a felicidade nas seitas religiosas para se sentirem parte de um projeto, de um ideal e de um sistema de valores.

É necessário ter clareza sobre o contexto teórico do qual partimos, já que, no mundo moderno, os educadores, de uma forma geral, vêm brincando com o processo ensino-aprendizagem, usando técnicas de forma errada ou mal compreendidas. Assim, um professor de matemática, que teve toda sua formação voltada para a ciência matemática, coloca-se na posição de profundo conhecedor de técnicas de transmissão de conhecimentos, sem se preocupar com a verdadeira função de fazer com que os alunos aprendam. Citamos a matemática como exemplo, mas outros campos da ciência poderiam servir como modelo.

Pode ser que quem esteja lendo este texto há de dizer: " - Mas o professor de matemática, assim como os professores de todas as matérias, devem ter tido a matéria de Didática no seu curso de licenciatura." É verdade. Só que acreditamos que o curso ministrado a eles, é exercido por um professor de Didática que, ele mesmo, não se preocupa com ela na sala de aula, no momento de transmissão de conhecimentos.

Historicamente o professor, como detentor de um inegável poder, aprendeu a responsabilizar seus alunos pelo fracasso do processo de ensino/aprendizagem. Nesta condição, quando o aluno não aprende, a culpa é sempre do aluno, nunca do professor que é sábio e autoridade na matéria lecionada. Nós, educadores de uma forma geral, aceitamos a idéia de que a responsabilidade da aprendizagem da turma nunca é do professor. Se um grupo de alunos não obtém rendimento satisfatório é porque são relapsos e não estudaram o suficiente para serem aprovados. Existem casos em que a metade da turma é reprovada e isso é encarado com toda a naturalidade pela comunidade escolar. Quando muito, dizem que o professor que reprova muitos alunos é "durão". Alguns professores sentem-se, inclusive, orgulhosos desta condição.

Neste sentido, não é mais o professor que detém a responsabilidade profissional de fazer com que o aluno, objeto de seu trabalho, aprenda. Ao contrário, é o aluno que passa a ter a responsabilidade de aprender. Resumindo: se o aluno aprende, isto se deve, de fato, a competência do professor; se o aluno não aprende, o professor continua atestando sua competência, porque ele ensinou mas os alunos não aprenderam.

Avaliação Escolar

“O importante não ‘é fazer como se’ cada um houvesse aprendido, mas permitir a cada um aprender”.
(Perrenoud, p. 165, 1999)

O termo avaliar tem sido associado a fazer prova, fazer exame, atribuir notas, repetir ou passar de ano. Nela a educação é imaginada como simples transmissão e memorização de informações prontas e o educando é visto como um ser paciente e receptivo. Em uma concepção pedagógica mais moderna, a educação é concebida como experiência de vivências múltiplas, agregando o desenvolvimento total do educando. Nessa abordagem o educando é um ser ativo e dinâmico, que participa da construção de seu próprio conhecimento. Nesse ponto de vista, a avaliação admite um significado orientador e cooperativo.

A avaliação do processo de ensino e aprendizagem, é realizada de forma contínua, cumulativa e sistemática na escola, com o objetivo de diagnosticar a situação de aprendizagem de cada aluno, em relação à programação curricular . A avaliação não deve priorizar apenas o resultado ou o processo, mas deve como prática de investigação, interrogar a relação ensino aprendizagem e buscar identificar os conhecimentos construídos e as dificuldades de uma forma dialógica. O erro, passa a ser considerado como pista que indica como o educando está relacionando os conhecimentos que já possui com os novos conhecimentos que vão sendo adquiridos, admitindo uma melhor compreensão dos conhecimentos solidificados, interação necessária em um processo de construção e de reconstrução. O erro, neste caso deixa de representar a ausência de conhecimento adequado. Toda resposta ao processo de aprendizagem, seja certa ou errada, é um ponto de chegada, por mostrar os conhecimentos que já foram construídos e absorvidos, e um novo ponto de partida, para um recomeço possibilitando novas tomadas de decisões.

A avaliação, dessa forma, tem uma função prognóstica, que avalia os conhecimentos prévios dos alunos, considerada a avaliação de entrada, avaliação de “input”; uma função diagnóstica, do dia-a-dia, a fim de verificar quem absorveu todos os conhecimentos e adquiriu as habilidades previstas nos objetivos estabelecidos. Para José Eustáquio Romão , existe também uma função classificatória, avaliação final, que funciona como verificação do nível alcançado pelos alunos, avaliação de “output”. Através da função diagnóstica podemos verificar quais as reais causas que impedem a aprendizagem do aluno. O exemplo classificatório de avaliação, oficializa a visão de sociedade excludente adotada pela escola.

A Lei 9.394/96, a LDB, ou Lei Darcy Ribeiro, não prioriza o sistema rigoroso e opressivo de notas parciais e médias finais no processo de avaliação escolar. Para a LDB , ninguém aprende para ser avaliado. Prioriza mais a educação em valores, aprendemos para termos novas atitudes e valores. A educação em valores é uma realidade da Lei 9394/96. A LDB, ao se referir à verificação do conhecimento escolar, determina que sejam observados os critérios de avaliação contínua e cumulativa da atuação do educando, com prioridade dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais (Art. 24, V-a). Devemos nos conscientizar que aspectos não são notas, mas sim, registros de acompanhamento do caminhar acadêmico do aluno. O educando, sendo bem orientado, saberá dizer quais são seus pontos fortes, o que construiu na sua aprendizagem o que ainda precisa construir e precisa melhorar.

Assim desenvolve a noção de responsabilidade e uma atitude crítica. Para isso é necessário criar oportunidades para que pratique a auto-avaliação, começando pela apreciação de si mesmo , de seus erros e acertos , assumindo a responsabilidade por seus atos. Daí, a necessidade de uma educação dialógica, abalizada na troca de idéias e opiniões, de uma conversa colaborativa em que não se conjectura o insucesso do aluno Quando o educando sofre com o insucesso, também fracassa o professor. A escola deve riscar do dicionário a palavra FRACASSO. A intenção não é o aluno tirar nota e sim "APRENDER", já que ainda existe nota, que ela possa ser utilizada realmente como um identificador para o professor da necessidade de retomar a sua prática pedagógica. A avaliação quando dialógica culmina na interação e no sucesso da aprendizagem pois o diálogo é fundamental, e o professor através dela se comunica de maneira adequada, satisfatória e prazerosa com o aluno.

Rever o ponto de vista de avaliação é rever certamente as concepções de ensino aprendizagem, de educação e de escola , apoiado em princípios e valores comprometidos com a instituição de aluno cidadão. Quando isso for colocado em prática a avaliação será vista como função diagnóstica, dialógica e transformadora da realidade escolar.



Avaliação escolar: limites e possibilidades
________________________________________
Clarilza Prado de Souza

"O processo avaliativo parte do pressuposto de que se defrontar com dificuldades é inerente ao ato de aprender”. Assim, o diagnóstico de dificuldades e facilidades deve ser compreendido não como um veredicto que irá culpar ou absolver o aluno, mas sim como uma análise da situação escolar atual do aluno, em função das condições de ensino que estão sendo oferecidas.

Nestes termos, são questões típicas de avaliações:
- Que problemas o aluno vem enfrentando?
- Por que não conseguiu alcançar determinados objetivos?
- Qual o processo de aprendizagem desenvolvido?
- Quais os resultados significativos produzidos pelo aluno?

"Precauções: A avaliação escolar não deve ser empregada quando não se tem interesse em aperfeiçoar o ensino e, conseqüentemente, quando não se definiu o sentido que será dado aos resultados da avaliação” .
A avaliação escolar exige também que o professor tenha claro, antes de sua utilização, o significado que ele atribui a sua ação educativa.

"Contra-indicações: A avaliação é contra-indicada como único instrumento para decidir sobre aprovação e reprovação do aluno. O seu uso somente para definir a progressão vertical do aluno conduz a reduções e descompromissos”.
A decisão de aprovação e retenção do aluno exige do coletivo da Escola uma análise das possibilidades que essa Escola pode oferecer para garantir um bom ensino.

A avaliação escolar também é contra-indicada para fazer um diagnóstico sobre a personalidade do aluno, pois sua abrangência limita-se aos objetivos do ensino do programa escolar.
A avaliação escolar é contra-indicada para fazer prognóstico de sucesso na vida. Contudo, o seu mau emprego pode expulsar o aluno da Escola, causar danos em seu autoconceito, impedir que ele tenha acesso a um conhecimento sistematizado e, portanto, restringir a partir daí suas oportunidades de participação social."
(Publicação: Série Idéias n. 22. São Paulo: FDE, 1994 Páginas: 89-90)


Planejamento:
O planejamento é uma ferramenta administrativa, que possibilita perceber a realidade, avaliar os caminhos, construir um referencial futuro, estruturando o trâmite adequado e reavaliar todo o processo a que o planejamento se destina. Sendo, portanto, o lado racional da ação. Tratando-se de um processo de deliberação abstrato e explícito que escolhe e organiza ações, antecipando os resultados esperados. Esta deliberação busca alcançar, da melhor forma possível, alguns objetivos pré-definidos.
É importante que o planejamento seja entendido como um processo cíclico e prático das determinações do plano, o que lhe garante continuidade, havendo uma constante realimentação de situações, propostas, resultados e soluções, lhe conferindo assim dinamismo, baseado na multidisciplinaridade, interatividade, num processo contínuo de tomada de decisões.

Parábola – Planejamento Estratégico

Um velho vivia sozinho em Minnessota. Ele queria cavar seu jardim, mas era um trabalho muito pesado. Seu único filho, que normalmente ajudava, estava na prisão. O velho então escreveu a seguinte carta ao filho, reclamando de seu problema.

“Querido filho, estou triste porque, ao que parece, não vou poder plantar meu jardim este ano. Detesto não poder fazê-lo porque sua mãe sempre adorava esta época do plantio depois do inverno. Mas eu estou velho demais para cavar a terra. Se você estivesse aqui, eu não teria esse problema, mas sei que você não pode me ajudar com o jardim, pois está na prisão. Com amor, Papai.”

Pouco depois o pai recebeu o seguinte telegrama: “PELO AMOR DE DEUS, Papai, não escave o jardim! Foi lá que eu escondi os corpos”.

As quatro da manhã do dia seguinte, uma dúzia de agentes do FBI e policiais apareceram e cavaram o jardim inteiro, sem encontrar nenhum corpo. Confuso, o velho escreveu uma carta para o filho contando o que acontecera.

Esta foi a resposta: “Pode plantar seu jardim agora, Papai. Isso foi o máximo que eu pude fazer no momento.”

ESTRATÉGIA É TUDO PARA PROFISSIONAIS COMPETENTES.

Nada como uma boa estratégia, para conseguir coisas que parecem impossíveis. Assim, é importante repensar nas pequenas coisas que muitas vezes, nós mesmos colocamos como obstáculos em nossas carreiras, em nossas vidas, em nossos corações...

“Ter problemas na vida é inevitável, ser derrotado por eles é opcional”.




Referências Bibliográficas

1. ANDRÉ, Marli e OLIVEIRA, Maria Rita Neto Sales. Alternativas no ensino de Didática. 3a ed. São Paulo: Papirus, 1997.
2. ANTUNES, Celso. Como desenvolver as competências em sala de aula. Petrópolis: Vozes, 2001.
3. PIMENTA, Selma Garrido. Estágio Supervisionado e Formação de Professores. Cortês: São Paulo, 1997.
4. SEVERINO, Antonio Joaquim. O conhecimento pedagógico e a interdisciplinaridade: o saber como intencionalização da prática. In: FAZENDA, Ivani (org. ). Didática e interdisciplinaridade. Campinas: Papirus, 1995. p. 31-46.
5. VEIGA, Ilma P. A. A prática pedagógica do professor de didática. Campinas: Papirus, 1989.
6. LACOMBE, F.J.M.; Heilborn, G.L.J. Administração: princípios e tendências. 1.ed. São Paulo: Saraiva, 2003.
7. BELLO, José Luiz de Paiva. Didática, Professor! Didática!. Pedagogia em Foco, Vitória, 1993.
8. http://pedagogia.brasilescola.com/trabalho-docente/avaliacao-escolar.htm

sábado, 25 de abril de 2009

A linguagem didática e a rotina escolar na relação professor-aluno

Aspectos Psicológicos:
Toda linguagem, para bem exercer sua função de comunicar, precisa ser correta, clara, simples, precisa, concisa e expressiva. Contudo, estes aspectos têm diferentes nuanças, consoante ao papel que a linguagem falada ou escrita desempenha em um determinado contexto. O tom de voz e o ritmo no falar diferem se estamos dando uma aula, fazendo um discurso, conversando com um amigo, transmitindo uma ordem etc
Para uma linguagem didática, é importante transmitir bem a mensagem facilitando a sua capacitação. A linguagem do professor deve primar pela clareza e simplicidade. A voz deve ser agradável, bem audível e a dicção a mais perfeita possível.
O professor não apenas transmite uma informação ou faz perguntas, mas também ouve os alunos. Deve dar-lhes atenção e cuidar para que aprendam a expressar-se, a expor opiniões e dar respostas. As respostas e as opiniões dos alunos mostram como eles estão reagindo à atuação do professor, às dificuldades que encontram na assimilação dos conhecimentos.
Para atingir satisfatoriamente uma boa interação no processo de comunicação, é preciso levar em conta: o manejo dos recursos da linguagem ( variar o tom de voz, falar com simplicidade sobre temas complexos); conhecer bem o nível de conhecimentos dos alunos; ter um bom plano de aula e objetivos claros; explicar aos alunos o que se espera deles em relação a assimilação da matéria.
A rotina escolar é um conjunto de normas e exigências explícitas que vão assegurar o ambiente de trabalho escolar favorável ao ensino e controlar as ações e comportamento dos alunos. A rotina escolar é um método de organização indispensável na sala de aula. A disciplina na classe está vinculada à organização e preparação do professor para a aula e constitui um conjunto de capacidades, habilidades e hábitos pedagógicos-didáticos necessários para dirigir com eficácia a transmissão e assimilação de conhecimentos aos alunos.
Temos ainda a “Educação Inclusiva” que nos remete a pensar sobre o significado do termo “Inclusão”. O conceito de Inclusão é movimento voltado para atendimento às necessidades da criança, buscando o currículo correto para incluí-la, não uma invenção da escola, mas uma ideologia, ou seja, não significa apenas “colocar para dentro”, ficando assim o questionamento de como despertar a aceitação da sociedade brasileira, para luta pela inclusão de crianças (indivíduos) com necessidades especiais. Não só a escola, mas o professor também deve estar preparado para o atendimento das necessidades do aluno.

Aspectos Filosóficos
A capacidade do educador de pensar sobre sua prática cotidiana vai muito além de enumerar as teorias da educação de acordo com as concepções pedagógicas e de saber se está sendo construtivista, tradicionalista, idealista ou racionalista. A atitude filosófica, requer a habilidade de identificar, analisar e resolver os problemas da educação.
De acordo com Saviani, a tarefa de Filosofia da Educação é de oferecer aos educadores um método de reflexão que lhes permitam encarar os problemas educacionais, penetrando na sua complexidade e encaminhando a solução de questões tais como: conflito entre filosofia de vida e ideologia na atividade do educador, a relação entre meios e fins da educação, a relação entre teoria e prática, os condicionamentos da atividade docente, até onde se pode contá-los ou superá-los Saviani (2000: 23).
Nossa educação tem sido pautada pelos princípios do silêncio, da obediência, do autoritarismo, da hierarquia, da ordem, da passividade, da dissimulação, (fingir o ensinar e o aprender) da omissão, da exclusão, da fraude, da rotulação e da desigualdade. Como resultado dessa prática espera-se que o aluno seja um cidadão crítico, atuante, participativo, honesto, solidário, criativo e humano. É a grande contradição se revelando entre o discurso e o fazer pedagógico.

Resumo da História da Educação no Brasil

(dos Jesuítas até 1932) Educação Tradicional: A escola como o espaço para a aquisição do conhecimento, que tem o professor como o mediador entre o aluno e os modelos culturais a serem transmitidos. O professor é o centro do saber, aquele que passa o conteúdo expositivamente para o aluno, que deve passivamente ouvir e se apropriar das informações transmitidas. Os produtos finais de sua aprendizagem, tais como exercícios de aula ou para casa e avaliações, são os indicadores de que o ensino foi eficiente ou não e de que aquele aluno foi capaz de acompanhar ou não, tendo como ideal constante que os alunos sejam capazes de reproduzir com exatidão o conteúdo transmitido. Pouca é a atenção dada a um indivíduo particularmente, há uma tendência a tratar todos igualmente, requerendo de todos o mesmo ritmo de trabalho, as mesmas leituras e os mesmos conhecimentos adquiridos. Volta-se para o que é externo ao aluno: o programa, as disciplinas, o professor. Privilegia as atividades intelectuais e o raciocínio abstrato. Em termos gerais, é um ensino que tem como cerne de sua preocupação a aquisição de uma variedade e quantidade de informações/noções/conceitos e não a formação do pensamento reflexivo. Traduz-se num processo de impressão e pura receptividade, em que o sujeito tem papel insignificante na elaboração do conhecimento.

Em 1932 iniciou-se um movimento com intenções declaradas de mudanças nas tendências do ensino no Brasil. Isso aconteceu no governo de Getúlio Vargas, era o início da ESCOLA NOVA, onde o professor não se comporta como o transmissor ativo e sim um facilitador de aprendizagem, onde o aluno é um “ser ativo” centro do processo de aprendizagem. Essa é uma escola democrática onde a escola é proclamada para todos.
A Educação Humanista teve como principal precursor Rogers. Nesta abordagem, o ensino é centrado no aluno, considerado uma pessoa integrada, em que suas dimensões emocional e intelectual são igualmente valorizadas e sua aprendizagem advêm de sua própria experiência. O professor não é um transmissor de conteúdo, ele dá assistência, sendo um facilitador da aprendizagem (o Orientador), Ou seja, o professor não ensina, apenas cria condições para que os alunos aprendam, fundamentalmente através de sua postura autêntica, congruente e empática. O professor cria o seu próprio repertório facilitador da aprendizagem. Não existem modelos prontos ou regras a seguir ou resultados finais esperados, mas sim, um processo de vir a ser. A ênfase da Educação Humanista está no processo. O objetivo é liberar sua capacidade de auto-aprendizagem para que busque ampliar e modificar seu aprendizado pessoal. É o despertar da autonomia, a responsabilidade pelas próprias opções, a autodescoberta, a autodeterminação, a capacidade de cooperação com o próximo. Para finalizar, vale enfatizar a predominância não-diretiva desta abordagem, baseada em relações entre iguais e nas auto-avaliações do aluno e do professor.

Com a instalação da ditadura militar em 1964 onde tem início a ESCOLA TECNICISTA, e o modelo americano é instituído em nosso país. O professor é um técnico com eficiência e eficácia, e o aluno é um elemento para quem o material é preparado. O tecnicismo empregado em todas as áreas impede o aluno de criar e pensar, impede o aluno da expressão dialética e confina o conhecimento ao limite dos verbos precisos. Para esta escola se efetuar e exercer seu papel social e este era ditado pelos militares que detinham o poder, foram divulgados modelos e métodos educacionais com aparelhos que impressionam e dão contornos “fantásticos” as formas de ensinar. Pode-se tudo pelo bem do tecnicismo, exceto a vontade popular de criar ou recriar. Foi nesta época que instalaram os recursos audiovisuais, instrução programada e o ensino individualizado.
A Escola Comportamentalista teve como principal precursor Skinner. O conhecimento é o resultado direto da experiência. Tanto a ciência quanto o comportamento são considerados formas de se conhecer os eventos. O ensino é composto por padrões de comportamento que podem ser mudados através do treinamento, segundo objetivos pré-fixados. Os objetivos do treinamento são as categorias de comportamento ou habilidades a serem desenvolvidas. Tanto o professor pode modificar seu comportamento, em prol da melhor estratégia de ensino, maximizando o aprendizado e o desempenho do aluno; quanto o aluno pode modificar seus comportamentos ao longo do tempo e realizar novos aprendizados, se atualizando. A educação está intimamente ligada à transmissão cultural. O professor passa a ser planejador, reforçador, condutor e avaliador de todo o processo de ensino-aprendizagem (o Técnico), com vistas a produzir uma instrução mais eficiente, baseada em pequenos passos, dando feedback constante aos alunos. O aluno é aquele que tem seu ritmo próprio, progride em pequenos passos e que deve chegar a aquisição de uma dada competência que lhe foi estipulada. O aluno é produto do meio, mas também é reativo a ele, por isto a importância de um olhar atento por parte do professor e do uso de estratégias educacionais que maximizem o aprendizado. Sob certas circunstâncias faz o uso de recompensas positivas ou de punições que modelem o comportamento desejado. Há uma ênfase na programação do ensino para sua maior eficiência.

Com a queda da ditadura os movimentos democráticos explodiram e junto com ele em 1983 dá-se início a ESCOLA CRÍTICA, que vem embalada pelos anseios de liberdade e traz em seu bojo uma gama de cidadãos que tinham sido exilados, e que no exílio aprenderam e retornaram com novas idéias e métodos de ensino. Nela o professor é o educador que direciona a forma de aprendizagem com participação concreta do aluno, aluno cidadão, que faz e cria a história. A escola é valorizada em sua totalidade para todas as camadas da população. Grandes educadores emergem com a liberdade e esta época é completa. Existe uma articulação entre o educador e o educando, sendo utilizado todas as formas que possibilitem a apreensão crítica dos conteúdos programáticos.
A Educação Sócio-cultural teve como principal precursor Paulo Freire. Nesta abordagem, o homem se constrói e chega a ser sujeito na medida em que, integrado em seu contexto, reflete sobre ele e com ele se compromete, tomando consciência de sua historicidade (crítica pessoal). A elaboração e o desenvolvimento do conhecimento estão ligados ao processo de conscientização, que é sempre inacabado, contínuo e progressivo, é uma aproximação crítica da realidade, pautado na reflexão e na ação. A educação assume caráter amplo, não restrito à escola e nem a um processo de educação formal, deve ser ela um local onde seja possível o crescimento mútuo, do professor e dos alunos. Educador e educando se educam entre si. É uma relação horizontal, não imposta, em que o diálogo é desenvolvido, ao mesmo tempo em que são oportunizadas a cooperação, a união, a organização e a solução em comum de problemas. A avaliação do processo de aprendizado consiste numa auto-avaliação de aluno e professor individualmente e mutuamente, os quais saberão quais são suas dificuldades e seus progressos.

Referência:
Mizukami, ‘Ensino: as abordagens do processo’, de 1986.
FERREIRA, Títo Lívio. História da Educação Lusobrasileira. São Paulo: Saraiva, 1966.
TEIXEIRA, Anísio. Educação no Brasil. São Paulo: Ed. Nacional, 1976.
SODRÉ, Nelson Werneck. O que se deve ler para conhecer o Brasil. Rio de Janeiro: INEP/MEC, 1960.

sábado, 18 de abril de 2009

Filosofia

“Fazer com que os homens se sintam inconfortáveis, eis a minha tarefa.” Nietzsche

1 – Introdução

A Filosofia nasce na Grécia por volta do século VI (ou VII) a.C. Pitágoras (séc. VI a.C.), um desses sábios, usou pela primeira vez a palavra filosofia (philos - sophia) que significa “amor à sabedoria”.
Por meio de longo processo histórico, surge promovendo a passagem do saber mítico ao pensamento racional, sem, entretanto, romper bruscamente com todos os conhecimentos do passado.
Nos primórdios todo o conhecimento provinha dos mitos, que eram narrativas sagradas. Nelas contavam-se como, por ação de entes sobrenaturais, uma realidade passou a existir. “É sempre, portanto, a narrativa de uma criação: ele revela de que modo algo foi produzido e passou a ser.” (ELIADE, 1998, p.11)
Assim sendo, a filosofia grega nasceu procurando desenvolver o logos (saber racional) em oposição ao mito (saber alegórico).
O surgimento da polis, cidade-estado grega, está intimamente ligado à utilização dos logos (razão) para solucionar os problemas dos homens.
Isso se deve ao fato de a polis ser uma criação dos homens, dos cidadãos e não dos deuses, o que permite a sua explicação não pelos mitos, mas pela razão.
Criam-se assim novos valores, o do debate, da exposição clara das idéias, o do raciocínio correto, que conduz ao modo adequado para se pensar as coisas.
Se considerarmos a Filosofia como atividade racional voltada à discussão e à explicação intelectualizada das coisas que nos circundam, tem-se o século VI como a data mais provável de sua origem. Nessa época temos a instituição da moeda, do calendário e da escrita alfabética, o crescimento da navegação, que favoreceram o intenso contato com outras culturas. Esses acontecimentos propiciaram o processo de desdobramento do pensamento poético em filosófico. De acordo com a tradição histórica, a fase inaugural da Filosofia grega é conhecida como período pré-socrático. Esse período abrange o conjunto das reflexões filosóficas desenvolvidas desde Tales de Mileto (623-546 a.C.) até Sócrates (468-399 a.C.).

2 – O que é Filosofia?

Entre tantos conceitos, elaborados por grandes filósofos ao longo da história, vale citar alguns:
“Uso do saber em proveito do homem o que implica em primeiro, posse de um conhecimento que seja o mais amplo e mais valido possível, e, segundo, o uso desse conhecimento em benefício do homem”. Platão.
“Crítica dos valores, das crenças, das instituições, dos costumes, das políticas, no que se refere seu alcance sobre os bens”. John Dewey.
A Filosofia não é um conjunto de conhecimentos prontos. E sim, um modo de pensar, uma postura diante do mundo. Ela vai além do que vemos.
A Filosofia, ao questionar, critica, coloca em dúvida, torna possível o impossível. Torna possível o surgimento de idéias novas, que serão também questionadas e assim sucessivamente.
A vida não é estática, ela está sempre em mudança, numa metamorfose contínua. E como esta própria palavra diz, e para isso acontecer, é preciso que uma forma seja abandonada para que uma outra possa aparecer. É como a relação que existe entre a lagarta e a borboleta. A lagarta troca de forma para que a borboleta possa surgir.
Fatos e objetos nos provocam a conhecê-los, interpretá-los, dominá-los. O que nos atrai não é somente o objeto ou o fato em si, mas aquilo que nele está desconhecido, aquilo que ele contém de oculto. Isso sim nos intriga e nos provoca a conhecer mais.
Quando achamos a resposta, por meio do estudo e da investigação, cessa a curiosidade. Mas novas perguntas e novos desafios sempre se levantam. O ser humano organiza e equilibra o seu viver com perguntas e respostas.

3 – O Método Filosófico

Lembremos a figura de Sócrates. Viveu em Atenas no século V a.C. Dizem que era um homem feio, mas, quando falava, era dono de um estranho fascínio. Procurado pelos jovens, passava horas discutindo na praça pública. Interpelava os transeuntes, dizendo-se ignorante, e fazia perguntas aos que julgavam entender determinado assunto. Colocava o interlocutor em tal situação, que não havia saída senão reconhecer a própria ignorância. Com isso Sócrates conseguiu rancorosos inimigos. Mas também alguns discípulos. O interessante é que a segunda parte do seu método, que se seguia à destruição da ilusão do conhecimento, nem sempre levava de fato a uma conclusão efetiva. Sabemos disso não pelo próprio Sócrates, que nunca escreveu, mas por seus discípulos, sobretudo Platão e Xenofonte.
Afinal, acusado de corromper a mocidade e ser ímpio para com os deuses da cidade, Sócrates foi condenado à morte. A história de sua condenação, defesa e morte é contada no belo diálogo de Platão Apologia de Sócrates. As discussões havidas durante sua prisão são relatadas no Fédon, também de Platão, e versam sobre a imortalidade da alma. (ARANHA, Maria Lucia de Arruda & MARTINS, Maria Helena Pires. Filisofando: Introdução à Filosofia. São Paulo: Moderna, 1986.)
Os filósofos costumam substituir afirmações por interrogações. Os dogmas (verdades absolutas, inquestionáveis) são transformados em dúvidas, as respostas tornam-se novos questionamentos, aquilo que é considerado como ponto de chegada passa a ser ponto de partida.
Sócrates, como vimos, empregou o diálogo, que podia assumir a forma de ironia maiêutica, ou seja, uma série de questões tendentes a encaminhar a solução de quesitos propostos.
Portanto, método é um conjunto de processos para a pesquisa e demonstração da verdade.
Sintetizando, existem três métodos fundamentais:

a-) o Platônico - a dialética - que consiste em partir de uma hipótese inicial, para, em seguida, fazer a crítica dessa hipótese, bem como das afirmações dela divergentes.
b-) o Aristotélico - o silogismo - ou seja a demonstração através da lógica racional. É o raciocínio formado por três proposições: a primeira, chamada premissa maior; a segunda, premissa menor; e a terceira, conclusão.Ex. Todos os homens são mortais (premissa maior), tu és homem (premissa menor), logo és mortal (conclusão).
c-) o Cartesiano - a intuição - ou a comprovação das afirmações através da análise e estudo dos diversos aspectos secundários que a caso apresente, até que se tenha formado o panorama de seu conjunto.

4 - Divisão Filosófica

Filosofia Especulativa – procura conhecer por conhecer, compreende a Metafísica (ciência das causas primeiras e dos primeiros princípios. Doutrina da essência das coisas. Ex. Crítica do Conhecimento) e a Filosofia da Natureza (é o estudo do ser concreto e particularizado nos diversos gêneros e espécies do plano do fenômeno. Ex. Antropologia).

Filosofia Prática – abrange a Filosofia Moral ou Ética e a Filosofia da Arte ou Estética. A Filosofia Moral ou Ética é o estudo do agir humano.
A Filosofia da Arte ou Estética é o estudo do fazer humano, sob o ponto de vista dos princípios universais que o devem orientar.

Lógica – Ciência que estuda as leis do raciocínio. É a demonstração da verdade.

Juízo – é uma forma de pensamento, isto é, um produto de idéias em que se afirma ou nega algo.
Raciocínio – encadeamento de argumentos mediante o qual dois ou mais juízos apresentados permitem inferir outros.

Sofismas – argumento falso, feito para induzir a erro. Ex. O político A é corrupto; o político B é corrupto; logo todos os políticos são corruptos.

5 – Considerações Finais

A televisão, o jornal, o livro, o rádio, uma revista, a internet, um grupo de amigos entre tantos outros, transmitem idéias e acabam influenciando a nossa visão de mundo. Ao longo da história algumas idéias se destacaram e se tornaram sistemas, correntes de pensamento, ideologias. As idéias têm o seu momento histórico de existir, têm seu tempo de aparecer, crescer, desenvolver-se e até mesmo de morrer.
O poder das idéias é muito maior do que possamos imaginar. Como vimos, a Filosofia nos remete ao questionamento, a interpretação dessas idéias, indo às vezes, mais além quando pretende questionar as estruturas. De alguma maneira buscamos respostas para as coisas que estão ao nosso redor, pois elas nos intrigam.
Podemos dizer que a tarefa da Filosofia é romper com o trivial. Ela provoca, instiga a nossa consciência e nos remete à reflexão. Por isso um filósofo disse certa vez: “Não se ensina a Filosofia, mas ensina-se a filosofar.”


FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO

Estamos vivendo um novo século, uma nova era, marcada pela velocidade da informação. Quem precisava de um acontecimento histórico para marcar essa passagem teve em 11 de setembro de 2001, o espetáculo da explosão do World Trade Center. Uma das características da pós – modernidade, é a transformação de tragédias em grandes espetáculos.
Na atualidade, a máxima de Karl Marx: “tudo que é sólido desmancha – se no ar”, nunca antes foi tão precisa. Vivemos a era do espetáculo, do fugaz, do efêmero, da velocidade e da virtualidade, onde nada dura, tudo passa. Nossas velhas instituições: família, escola, igreja, polícia, congresso, universidade, a tempos foram atentadas. Hoje a televisão, o rádio, o jornal são fontes consagradas de “verdades e realidades”.
Como herdeiros de uma nova era, mas com corações e mentes no século passado, nos prendemos aos velhos problemas e ignoramos o presente. Apesar de todo avanço tecnológico e científico, existem problemas do século passado que ainda não foram superados – a desigualdade social é um deles.
Procurar pensar o que é Filosofia? O que é Filosofia da Educação? Quais seus representantes? Quais as contribuições das teorias pedagógicas para a melhor compreensão do processo ensino – aprendizagem? Que relações podem ser estabelecidas entre o discurso teórico e a prática pedagógica? São questões que ainda não foram superadas de todo o terreno pedagógico.

FILOSOFIA E FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO

Definir filosofia e filosofia da educação não é uma questão simples, pois a sua pluralidade conceitual varia de acordo com a concepção epistemológica defendida pelos diferentes filósofos. Para alguns, a filosofia deveria se preocupar com a essência, para outros a atenção deveria voltar – se para o fenômeno, uns acreditam que a busca da verdade é a função da filosofia . Platão considerava a filosofia como o desenvolvimento do saber em benefício do homem.
Iremos considerar a concepção de filosofia e de filosofia da Educação de Demerval Saviani: (...) podemos conceituar filosofia como uma reflexão (radical, rigorosa e de conjunto) sobre os problemas que a realidade apresenta. (...) Filosofia da Educação não seria outra coisa senão uma reflexão (radical, rigorosa e de conjunto) sobre os problemas que a realidade educacional apresenta (2000:20)
De acordo com esses princípios, a capacidade do educador de pensar sobre sua prática cotidiana, vai muito além de enumerar as teorias da educação de acordo com as concepções pedagógicas e de saber se está sendo construtivista, tradicionalista, idealista ou racionalista. A atitude filosófica, requer a habilidade de identificar, analisar e resolver os problemas da educação.
De acordo com Saviani, a tarefa de Filosofia da Educação é de oferecer aos educadores um método de reflexão que lhes permitam encarar os problemas educacionais, penetrando na sua complexidade e encaminhando a solução de questões tais como: conflito entre filosofia de vida e ideologia na atividade do educador, a relação entre meios e fins da educação, a relação entre teoria e prática, os condicionamentos da atividade docente, até onde se pode contá-los ou superá-los Saviani (2000: 23).
Os educadores precisam compreender que consciente ou inconscientemente toda prática pedagógica está embasada numa teoria, numa filosofia, ou seja, numa concepção de mundo, de educação e de homem que se pretende formar. Esta deveria ser a primeira definição a ser feita, antes mesmo de se definir quais os objetivos da educação.
Nossa educação tem sido pautada pelos princípios do silêncio, da obediência, do autoritarismo, da hierarquia, da ordem, da passividade, da dissimulação, (fingir o ensinar e o aprender) da omissão, da exclusão, da fraude, da rotulação e da desigualdade. Como resultado dessa prática espera-se que o aluno seja um cidadão crítico, atuante, participativo, honesto, solidário, criativo e humano. É a grande contradição se revelando entre o discurso e o fazer pedagógico.
Nos saberes necessários à prática docente, Paulo Freire nos ensina: No processo de fala e escuta, a disciplina do silêncio a ser assumida com rigor e a seu tempo pelos sujeitos que falam e escutam é um “sine qua” da comunicação dialógica. O primeiro sinal de que o sujeito que fala sabe escutar, é a demonstração de sua capacidade de controlar não só a necessidade de dizer a sua palavra, que é um direito, mas também o gosto pessoal, profundamente respeitável de expressá-la. (2001: 131)
Como esperar do aluno que atravessa a educação básica sobre a égide do silêncio, tenha consciência do seu direito de voz? Mais do que um ser que escreve, o homem pode ser definido como ser que fala. Somos seres narrativos. Nossas relações pessoais, sentimentais, amorosas, são permeadas pela oralidade. A escrita no papel não tem a mesma força ordenatória ou salvadora que tem a palavra expressa pela fala. Os psiquiatras nos seus consultórios e os padres nos confessionários conhecem muito bem esse poder.
Precisamos abrir espaços de comunicação com nosso aluno, permeada pelo ato da fala e da escuta. Deixar que o aluno fale sobre seu cotidiano, seus sonhos, sua família, seus desejos, seus medos, suas desilusões, suas alegrias, suas tristezas, suas fantasias, seus conhecimentos é a forma de considerá-lo como sujeito de sua história. É construir sua identidade e subjetividade pessoal.
Moacir Gadotti, demonstra que se a escola não é o lugar possível para o diálogo para educadores e educandos, é porque na sociedade, a liberdade de expressão não é uma atitude desenvolvida de igual direito para todos. Como desenvolver o diálogo numa sociedade de conflitos? Qual é o papel do educador crítico nessa sociedade? Essas são as questões que irão permear a pedagogia do conflito.
A pedagogia do conflito é a teoria de uma prática pedagógica que procura, não esconder conflito, mas afrontá-lo, desmascarando-o. Para lutar contra as desigualdades, elas devem estar evidentes para todos os membros de uma sociedade e não ser percebida como um fato natural e universal.
Os conflitos existem porque os interesses das classes sociais são divergentes. Uns lutam pela manutenção do “status quo”, outros querem a transformação da estrutura social a fim de que se desenvolva maior equidade social. Nesse contexto, o papel do educador segundo Gadotti deve ser: crítico e revolucionário. Seu papel é o de inquietar, incomodar, perturbar: a função do pedagogo parece ser esta: à contradição(opressor/ oprimido, por exemplo) ele acrescenta a consciência da contradição. Foi isso que fizeram por exemplo Lao-tsé, Sócrates, Marx, Nietzsche, Freud, Mao Tsé- tung, Freint, Amilcar Cabral, Gramsci e outros grandes nomes da história antiga ou contemporânea(1988:120)
Essa não é uma tarefa fácil, mas o educador precisa assumir esse desafio, nessa sociedade de conflitos, de classes e de interesses diferentes, de criar condições necessárias que fortaleçam o aparecimento de uma nova concepção de homem, materializada em pessoas conscientes, solidárias, organizadas e capazes de superar o individualismo. No contexto da dominação política e da exploração econômica capitalista, o papel do educador revolucionário é o de ser um agente atuante do discurso contra-hegemônico.
Toda classe que assume o poder passa a lutar para que o seu conhecimento seja aceito, dizimado e aceito como natural e verdadeiro. O desejo de hegemonia faz com que os outros saberes sejam relegados, esquecidos e eliminados. Nesse sentido é preciso questionar a hegemonia de uma classe e de uma forma de conhecimento e de um discurso. Sendo essas modalidades hegemônicas (poderes) colocadas em evidências, abre-se uma possibilidade de vislumbrar as bases estruturais do sistema capitalista, e dessa forma “minar” o seu sustentáculo.




CONTRIBUIÇÃO DE ALGUNS AUTORES

As idéias filosóficas de Paulo Freire, Moacir Gadotti e Demerval Saviani, contribuíram de forma significativa para a formação da concepção da educação como um ato político e transformador da realidade social. Essa concepção foi lida por muitos professores e pedagogos de forma equivocada. Em consequência, a prática pedagógica passou a ser direcionada para a formação política em detrimento das demais habilidades necessárias a formação de um sujeito atuante na sociedade e conhecedor de sua história.
José Carlos Libâneo irá perceber que o monopólio do conhecimento é o fator que contribui para a manutenção de uma estrutural social. A possibilidade para mudança está na apropriação do conhecimento por parte daqueles que estão à margem da sociedade. Ë este o princípio que irá reger a Pedagogia Crítico Social dos Conteúdos. Segundo Libâneo, a Pedagogia Crítico Social dos Conteúdos: (...) postula para o ensino a tarefa de propiciar aos alunos o desenvolvimento de suas capacidades e habilidades intelectuais, mediante a transmissão e a aquisição ativa dos conteúdos escolares, articulando no mesmo processo, a aquisição e noções sistematizadas e as qualidades individuais dos alunos que lhe possibilitam a auto-atividade e a busca independente e criativa das noções(1994:70).
De acordo com o pensamento de Libâneo, é através do domínio de conteúdos científicos, de métodos de estudos e habilidades e hábitos de raciocínio científico é que os alunos poderão formar consciência crítica face às realidades sociais e assim terão capacidade de assumir no conjunto das lutas sociais a sua condição de agentes ativos das transformações sociais e de si próprios.
Apesar das considerações apresentadas, nosso objetivo não é o de demonstrar, por exemplo uma trajetória teórica de Paulo Freire desde a “Pedagogia do Oprimido” até “Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática docente”, ou sobre a Pedagogia Libertadora, o que não é uma tarefa fácil quando se quer apresentar algo de novo. Paulo freire é um dos autores mais lido, discutido, criticado, odiado e amado por esses rincões do Brasil. É preciso perceber que seus estudos inauguraram a possibilidade de um pensamento autônomo do sistema educacional.
Demerval Saviani, foi um dos pioneiros na década de 70, a desenvolver a tentativa de encaminhar dialeticamente o problema dos objetivos e meios da educação brasileira. Sua teoria, sobre a “curvatura da vara agregada aos pressupostos da pedagogia para além da essência e da existência” causaram várias discussões no seio acadêmico (2000: 62).
O estudo das tendências pedagógicas na prática escolar: liberais e progressistas, realizado por José Carlos Libâneo, trouxe grandes contribuições para o campo educacional. Através da tendência Crítico Social dos Conteúdos, foi possível aos educadores, a compreensão da necessidade da valorização dos conteúdos em confronto com as realidades sociais.
Por sua vez, Moacir Gadotti, através de sua “pedagogia do conflito”, apesar do autor considerá-la como prática e não como teoria, nos demonstra que “toda construção da história e de suas idéias é certamente desconstruída, contraditória, fragmentada, como aliás, a história das idéias de todos os tempos” (1988: 118).
Descrever sobre qualquer um dos autores citados, que com certeza contribuíram de forma significativas e com idéias inovadoras para a compreensão do sistema do ensino brasileiro, sem cair na mesmice ou numa postura passional é quase que impossível. Seus pensamentos representam postulados teóricos que atenderam as expectativas e as necessidades de uma determinada época histórica.

UM NOVO DISCURSO PARA EDUCAÇÃO

O primeiro passo do processo educativo, começa pela consciência de que temos várias descrições do que chamamos de realidade. “Dependendo das palavras, certas coisas existem e são importantes. Se as palavras são outras, estas coisas são lixos (...) Tudo é discurso: a ciência, a religião, o saber, a arte, a educação. Há um discurso opressor e um discurso libertador” Gadotti (1988: 56).
Os discursos (falados , escritos) são materializações das vontades de verdade e de poder. O discurso de quem já está no poder é “opressor” porque o seu objetivo é a manutenção do “status quo” e, o discurso de quem está a margem do poder, pressupõe um discurso “libertador”, pois sua função é o de o homem de sua posição de “oprimido”.
Na escola se faz necessário construir nos alunos a habilidade de escrever e ler as diversas formas de gêneros discursivos. É essa nova forma de encarar a educação que encanta os educadores cansados pelo tecnicismo oficial e pelo neo-tecnicismo progressista. Recupera assim, na sala de aula, a beleza, o indivíduo, o pessoal, o poético, o inconsciente, a emoção.
O real, na atualidade, é uma escrita discursiva. Assim sendo, o termo realidade é complexo, não só porque entre a realidade e a ficção existe uma linha tênue, mas porque ambas estão sendo conceituadas e expostas segundo meios de comunicação cada vez mais inusitados. Em alguns extremos, a virtualidade é preferida frente a realidade.
A adoção por si só das narrativas no espaço escolar, não irá solucionar os problemas do ensino nem tão pouco revelar as nuanças das diversas formas de discursos. É no fazer pedagógico e na relação professor e aluno, que as narrativas devem ganhar sentido e encontrar “jogos de linguagem” ou seus significados.
Os “jogos de linguagem” ou jogos imaginários, são estruturados de diferentes formas, estilos e gêneros recorrentes conforme o interesse em jogo. Há mensagens discursivas que causam maior efeito se forem transmitidas através da música, da poesia, da literatura, de um filme, de uma novela. Há outras que necessitam da obrigatoriedade para poder se impor, ou para que a ordem seja mantida, nesse campo aparecem as leis, os decretos-leis, os ofícios, os memorandos, enfim todo do Código de Direito.
As teorias desenvolvidas pelos professores deveriam ser entendidas como forma de narrativas. A ciência, os mitos, o senso comum, as lendas, são narrativas discursivas construídas pelos homens de forma histórica e social.
Um discurso filosófico, educacional, político, poético, ou literário, são a priori, narrativas, são discursos, são criações humanas elaboradas com o objetivo de conquistar o coração e a mente de outrem em favor do seu desejo de verdade.
Se os diversos discursos forem vistos como narrativas, o professor não pode privilegiar uma forma de conhecimento em detrimento de outra. Amplia-se assim, o acesso a formas variadas de conhecimentos e a utilização de recursos metodológicos como a televisão, o rádio, a internet, o cd-rom, o vídeo-cassete, o gravador, a filmadora etc. O quadro e o giz não podem continuar sendo a única referência do espaço escolar.
Em suma, as velhas fórmulas e as antigas teorias devem ser vistas como conhecimentos necessários para identificar nos atuais discursos o que já foi superado e o que nesse “mar de palavras” pode contribuir para o processo de aprendizagem dos nossos alunos.
Hoje, precisamos nos apropriar de novos instrumentos de análise da realidade social e educacional, pois querer enxergar o presente e vislumbrar o futuro com os olhos do passado é o mesmo que exigir da borboleta que volte ao casulo para aprender a voar com maestria.

BIBLIOGRAFIA:
CERTAU, Michel de. A Invenção do Cotidiano. Petrópolis, Vozes, 1994.
FOUCALT, Michel. A Ordem do Discurso. São Paulo, Loyola, 2000.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 2000.
GADOTTI, Moacir. Pensamento Pedagógico Brasileiro. São Paulo, Ática,1 988.
LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo, Cortez, 1994.
SAVIANI, Demerval. Educação: do Senso Comum à Consciência Filosófica. São Paulo, Autores Associados, 2000.



Texto Complementar: Novos Paradigmas para Educação

O mundo está em constante mudança, principalmente devido à GLOBALIZAÇÃO. Alguns conceitos e preconceitos tem dificultado alguns em acompanhar estas mudanças. Segundo Bacon existem alguns Ídolos da Mente que impedem de se chegar à verdadeira investigação científica, são eles:

1. Os ídolos da Caverna - Quando somos referenciais únicos da verdade
2. Os ídolos da Tribo - A Tradição do Grupo social
3. Os ídolos do Mercado - A força da Palavra (censura)
4. Os ídolos do teatro - a representação da vida.

Precisamos avaliar e reavaliar "as propostas de gabinete" quando estas estão totalmente desassociadas da realidade daqueles com os quais estamos compartilhando algum conhecimento.

I. Os Novos Paradigmas do Aluno
1. O aluno constrói o seu conhecimento. Precisa-se tomar cuidado com o individualismo que tem crescido na sociedade contemporânea.
2. O aluno é considerado com um cliente em formação continuada.
3. O aluno é responsável pela aquisição de novos conhecimentos.

II. Os Novos Paradigmas do Professor
1. O Professor, mais do que nunca, precisa ser visto e atuar como um guia-conselheiro: Um facilitador do processo ensino-aprendizagem.
2. O professor precisa estar em atualização continuada. O aperfeiçoamento da prática docente é vital para o exercício do magistério. Vejam que não estou usando a palavra RECICLAGEM, pois o que é reciclado é lixo...
3. O professor precisa realizar uma mudança constante na seleção de conteúdos, a partir da realidade vivencial em que se encontra com seus alunos.
4. o professor precisa estar se aperfeiçoando e se habilitando nos usos dos diversos usos de instrumento modernos, procurando sempre não cair nos erros do tecnicismo da década de 70.

III.Os Novos paradigmas da Escola
1. O mundo contemporâneo é cada vez mais complexo e exigente, portanto as mudanças são cada vez mais profundas, e assim deve proceder a escola, não por fora, por nomenclatura ou somente de comportamento, mas mudanças de mentalidade.
2. A Escola precisa estar equipada para atender as diversas exigências da modernidade e promover capacitações diferentes para toda a comunidade escolar.
3. A escola precisa assumir o seu papel de adquirir e desenvolver o espírito crítico e a auto-estima do aluno. A escola não pode em hipótese alguma servir como Aparelho ideológico do estado.
4. A Escola precisa criar ambientes físicos que favoreçam trabalhos de grupo, diferenciados e simultâneos.
5. Na era da Cibernética, a escola não pode estar de fora. A Escola precisa investir em ambientes informatizados.

IV. Os Novos paradigmas do Ensino/tecnologia
1. As diversas abordagens psicopedagógicas tem dados suas ênfases, de acordo com seus apologistas, mas com certeza a relação ensino/aprendizagem precisa levar em conta as múltiplas inteligências de seus alunos
2. O ensino precisa ser dinâmico e formador de opinião. A ênfase precisa ser no ensinar a interpretar e a julgar. O ensino precisa ser mais formativo que informativo, pois para isto os alunos têm outros recursos além da escola.
3. O ensino precisa ser informatizado, pois os recursos estão aí para serem "usados e abusados", com propósitos bem delineados pela realidade de cada grupo.
6. O Ensino Interativo. O ensino precisa ser conjugado com imagens, gráfico e sons.
7. O ensino precisa apresentar um outro tipo de informação. A informação apresentada precisa ser não-linear e não seqüencial, para isto temos a Mídia Interativa.
8. O ensino precisa ser na área de saber oferecer recursos para o aluno procurar informações em meios e fontes tradicionais e eletrônicas.
9. O ensino precisa dar oportunidade de simulação via multimídia através da realidade virtual, sem que com isto venhamos a alienar nossos alunos.
10. O ensino precisa de uma visão globalizante. O aluno precisa compartilhar conhecimentos com colegas em locais diferentes do mundo, ou seja, com outras culturas.
11. O ensino precisa apresentar uma nova proposta curricular: visão holística, múltiplas inteligências, integração de conhecimentos (interdisciplinaridade), etc.

conclusão:
Está se buscando um novo caminhar para a educação no próximo milênio. Temos que construir uma pedagogia do caminho, talvez uma "Pedagogia da Busca" ou "Uma Pedagogia da Angústia da Busca". Creio que estamos caminhando para a construção de um novo homem, não nos moldes nietzscheano, mas que somente o tempo poderá revelar que tipo de sociedade estamos construindo e quais as conseqüências de nossas atitudes como educadores do próximo milênio. Nossos filhos e netos nos julgarão...

© Prof. de Filosofia Vanderlei de Barros Rosas - Bacharel e Licenciatura Plena pela UERJ - http://www.mundodosfilosofos.com.br/vanderlei.htm - acessado em 7/11/2008.


A ROUPA NOVA DO REI
Algumas das estórias de Hans Christian Andersen estão cheias de humor e ironia, como aquela do rei vaidoso que gostava de se vestir elegantemente. Vou recontar esta estória com dois finais: o dele e o meu.
“Havia um rei muito tolo que adorava roupas bonitas. Os tolos, geralmente, gostam de roupas bonitas. Pois esse rei enviava emissários por todo o país com a missão de comprar roupas diferentes. Era o melhor cliente da Daslu. Os seus guarda-roupas estavam entulhados com ternos, sapatos, gravatas de todas as cores e estilos. Eram tantas as suas roupas que ele estava muito triste porque seus emissários já não encontravam novidades.
Dois espertalhões ouviram falar do gosto do rei pelas roupas e viram nisso uma oportunidade de se enriquecerem às custas da vaidade da Majestade. A vaidade torna bobas as pessoas: elas passam a acreditar nos elogios dos bajuladores... Foi isso que aconteceu com um corvo vaidoso que estava pousado no galho de uma árvore com um queijo na boca: por acreditar nos elogios da raposa ficou sem queijo...
Pois os dois espertalhões-raposa foram até o palácio real e anunciaram-se na portaria, apresentando o seu cartão de visitas: “Doutor Severino e Doutor Valério, especialistas em tecidos mágicos.”
O rei já havia ouvido falar de tecidos de todos os tipos mas nunca ouvira falar de tecidos mágicos. Ficou curioso. Ordenou que os dois fossem trazidos à sua presença. Diante do rei fizeram uma profunda barretada, tirando seus chapéus.
“Falem-me sobre o tecido mágico”, ordenou o rei.
Um dos espertalhões, o mais loquaz, se pôs a falar.
“Majestade, diferente de todos os tecidos comuns, o tecido que nós tecemos é mágico porque somente as pessoas inteligentes podem vê-lo. Vestindo um terno feito com esse tecido Vossa Majestade será cercado apenas por pessoas inteligentes, pois somente elas o verão...”
O rei ficou encantado e imediatamente contratou os dois espertalhões, oferecendo-lhes um amplo aposento onde poderiam montar os seus teares e e tecer o tecido que só os inteligentes poderiam ver..
Passados alguns dias o rei mandou chamar o ministro da educação e ordenou-lhe que fosse examinar o tecido. O ministro dirigiu-se ao aposento onde os tecelões estavam trabalhando.
“Veja, excelência, a beleza do tecido”, disseram eles com a mãos estendidas. O ministro da educação não viu coisa alguma e entrou em pânico. “Meu Deus, eu não vejo o tecido, logo sou burro...” Resolveu, então, fazer de contas que era inteligente e começou a elogiar o tecido como sendo o mais belo que havia visto.
“Majestade”, relatou o minsitro da educação ao rei, “o tecido é incomparável, maravilhoso. De fato os tecelões são verdadeiras magos!” O rei ficou muito feliz.
Passados mais dois dias ele convocou o ministro da guerra e ordenou-lhe que examinasse o tecido. Aconteceu a mesma coisa. Ele não viu coisa alguma. “ Meu Deus”, ele disse, “ não sou inteligente. O ministro da educação viu e eu não estou vendo...” Resolveu adotar a mesma tática do ministro da educação e fez de contas que estava vendo. O rei ficou muito feliz com a seu relatório. E assim aconteceu com todos os outros ministros. Até que o rei resolveu pessoalmente ver o tecido maravilhoso. Mas, como os ministros, ele não viu coisa alguma porque nada havia para ser visto. Aí ele pensou: “Os ministros da educação, da guerra, das finanças, da cultura, das comunicações viram. São inteligentes. Mas eu não vejo nada! Sou burro. Não posso deixar que eles saibam da minha burrice porque pode ser que tal conhecimento venha a desestabilizar o meu governo...” O rei, então, entregou-se a elogios entusiasmados ao tecido que não havia.
O cerimonial do palácio determinou então que deveria haver uma grande festa para que todos vissem o rei em suas novas roupas. E todos ficaram sabendo que somente os inteligentes as veriam. A mídia, televisão e jornais, convidaram todos os cidadãos inteligentes a que comparecessem à solenidade.
No Dia da Pátria, a cidade engalanada, bandeiras por todos os lados, bandas de música, as ruas cheias, tocaram os clarins e ouviu-se uma voz pelos alto-falantes:
“Cidadãos do nosso país! Dentro de poucos instantes a sua inteligência será colocada à prova. O rei vai desfilar usando a roupa que só os inteligentes podem ver.”
Canhões dispararam uma salva de seis tiros. Ruflaram os tambores. Abriram-se os portões do palácio e o rei marchou vestido com a sua roupa nova.
Foi aquele oh! de espanto. Todos ficaram maravilhados. Como era linda a roupa do rei! Todos eram inteligentes.
No alto de uma árvore estava encarapitado um menino a quem não haviam explicado as propriedades mágicas da roupa do rei. Ele olhou, não viu roupa nenhuma, viu o rei pelado exibindo sua enorme barriga, suas nádegas murchas e vergonhas dependuradas. Ficou horrorizado e não se conteve. Deu um grito que a multidão inteira ouviu:
“O rei está pelado!”
Foi aquele espanto. Um silêncio profundo. E uma gargalhada mais ruidosa que a salva de artilharia. Todos gritavam enquanto riam: “ O rei está nu, o rei está nu...”
O rei tratou de tapar as vergonhas com as mãos e voltou correndo para dentro do palácio.
Quanto aos espertalhões, já estavam longe e haviam transferido os milhões que haviam ganho para um paraíso fiscal...”
Não foi bem assim que Hans Christian Andersen contou a estória. Eu introduzi uns floreados para torná-la mais atual. Agora vou contar a mesma estória com um fim diferente. Ela é em tudo igual à versão de Andersen, até o momento do grito do menino.
“O rei está pelado!
Foi aquele espanto. Um silêncio profundo. Seguido pelo grito enfurecido da multidão.
“Menino louco! Menino burro! Não vê a roupa nova do rei! Está querendo desestabilizar o governo! É um subversivo, a serviço das elites!”
Com estas palavras agarraram o menino, colocaram-no numa camisa de força e o internaram num manicômio.
Moral da estória: Em terra de cego quem tem um olho não é rei. É doido.
http://www.rubemalves.com.br/oreinu.htm
Matéria publicada no Correio Popular, 11/09/2005
Autor: Rubem Alves





Tema para o trabalho mensal:
1 - O PROFESSOR REFLEXIVO NA ENFERMAGEM

FORMATAÇÃO PARA TRABALHOS
1.1 Formatos
Deve ser utilizado folha de papel branco, de formato A4 (21 cm x 29,7 cm). As fontes (tipos de letras) devem ser a Arial tamanho 12 ou Times New Roman tamanho 13, ambas na cor preta, para digitação em parágrafo normal (corpo do trabalho); e fonte Arial tamanho 10 ou Times New Roman tamanho 11 para citações longas, notas de rodapé, legendas das ilustrações e tabelas (títulos e fontes).
O parágrafo recomendado por este manual é de 1,5 cm a partir da margem esquerda e deve ser justificado (configurar nos itens “Formatar – Tabulação”; digitar o tamanho de “1,5”, clicar em “Definir” e por último em “Ok”).
O destaque em itálico deve ser usado nas palavras ou expressões de língua estrangeira e latim, em nomes de espécies em botânica, zoologia ou paleontologia e em títulos de documentos (livros, revistas, artigos e outros) citados no texto.
1.2 Margens
As margens Superior e Esquerda devem ser de 3 cm e as Inferior e Direita de 2 cm, conforme ilustração.

Figura 1 – Modelo para configuração de margens
1.3 Espaçamento
Deve ser usado espaçamento de 1,5 entre as linhas no corpo do trabalho. Para as citações longas (mais de 3 linhas),as notas de rodapé, as legendas das ilustrações e/ou tabelas e a natureza do trabalho (inserida na folha de rosto) o espaçamento deve ser simples.
Já as referências bibliográficas, devem ser digitadas em espaço simples e separadas entre si por dois espaços simples. O espaçamento entre título e texto e entre texto e titulo deve ser de dois espaços (tecla “enter”) de 1,5; a mesma regra vale para os subtítulos.





Era uma vez uma escola



Andrea Cecilia Ramal



(homenagem a Paulo Freire)

Era uma vez uma escola
onde trabalhava um mestre
que ensinava diferente
de tudo o que conheceste.

Em sua aula, não dizia
"nada sabes, só eu sei",
nem falava assim: "copiem
tudo isso que expliquei".

Disse que não era ele
só quem tinha que ensinar
e falou que todo mundo
tinha algo para dar.

Ninguém educa ninguém"
Ninguém "dá" educação:
"os homens é que se educam,
um ao outro, em comunhão".

Ensinando o alfabeto
não pediu, como já vi
prá escrever "uva", "vovó",
"asa", "ema" ou "siri



pediu prá escrever "tijolo",
"enxada", "trabalhador",
ensinou a escrever "salário",
"justiça", "direito", "amor".

Depois ele então pedia
prá falar nossa opinião
pois essas belas palavras
estavam nas nossas mãos.

Nós sentados sempre em roda
íamos tendo consciência
de que toda a teoria
de que toda a ciência

só têm valor para o mundo
se ajudam a transformar
se ajudam o homem pobre
aos problemas superar.

Naquela sala de aula
se formava todo dia
em nossa humilde cabeça
uma linda utopia

Podemos mudar o mundo!
Prá isso serve aprender!
Prá construir a sociedade
nossa enxada é o saber!

Era assim como se dava
cada aula deste mestre
e no fim não tinha nota
nem tinha prova, nem teste:

Cada um ia falando
se se sentia aprovado
porque percebia em si
como ele tinha mudado.

Tu também vais hoje à escola?
Tu também tens o teu mestre?
E tu, como te avalias
No fim de cada bimestre?


Quanto é que tu mudaste
em razão e sentimento?
O que deste tu ao mundo
com o teu conhecimento?

Não te esqueças de uma coisa:
se acaso o teu professor
não te vê como pessoa,
não procura teu valor

Se contigo nada aprende
se não pode te escutar
e apenas nas suas provas
é que podes te expressar

Se não fala de justiça
se não quer transformação
se não vê na aprendizagem
um instrumento da ação

Se ele nunca põe afeto
na sua aula exemplar
e é só ele quem escolhe
a matéria que vai dar

Fala a ele desse mestre
que acabei de te falar;
conta a ele dessa escola
onde se pode sonhar.

Quem sabe ele te escute
e juntos possam viver
a fascinante aventura
que se chama aprender.




In: Histórias de gente que ensina e aprende. São Paulo: EDUSC, 1999, pp. 27-28.Pubicado em 4/11/2003

ATIVIDADE AVALIATÓRIA DE FILOSOFIA

Pólo: __________________
Curso: _______________________________________________
Disciplina: ___________________________________________
Prof.(a): _____________________________________________

Alunos: _______________________________________________ Data: __/__/2009
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Com base no texto “As roupas novas do rei” responda as questões 1 e 2.
1) A criança com sua voz calou a multidão, envergonhou os ministros, ruborizou a face do rei, desmascarou a ação dos trapaceiros. Retirou dos olhos de todos o véu que encobria suas mentes. Quem é esta criança?
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2) Crianças iguais a esta existiram muitas na história... história da Humanidade, história recente de gente que está por aí, de pessoas que convivem com você. Por que a criança foi capaz de “ver” o que ninguém queria ver?
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3) “Para isso existem as escolas: não para ensinar as respostas, mas para ensinar as perguntas. As respostas nos permitem andar sobre a terra firme. Mas somente as perguntas nos permitem entrar pelo mar desconhecido.” Rubem Alves
A Filosofia, ao questionar, torna possível o impossível. Leva as pessoas à reflexão, a incomodarem-se com verdades, questionamentos e soluções. Partindo dessa idéia, vocês concordam com esta afirmação de Rubem Alves: “escola é lugar de ensinar a fazer perguntas?” Sim? Não? Em termos? Justifiquem.
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quinta-feira, 12 de março de 2009

Informações Para os Alunos de Psicopedagogia

1. O que é a psicopedagogia?
A Psicopedagogia estuda o processo de aprendizagem e suas dificuldades, tendo, portanto, um caráter preventivo e terapêutico. Preventivamente deve atuar não só no âmbito escolar, mas alcançar a família e a comunidade, esclarecendo sobre as diferentes etapas do desenvolvimento, para que possam compreender e entender suas características evitando assim cobranças de atitudes ou pensamentos que não são próprios da idade. Terapeuticamente a psicopedagogia deve identificar, analisar, planejar, intervir através das etapas de diagnóstico e tratamento.

2. Quem são os psicopedagogos?
São profissionais preparados para atender crianças ou adolescentes com problemas de aprendizagem, atuando na sua prevenção, diagnóstico e tratamento clínico ou institucional.

3. Onde atuam?
O psicopedagogo poderá atuar em escolas e empresas (psicopedagogia institucional), na clínica (psicopedagogia clínica).

4. Como se dá o trabalho na clínica?
O psicopedagogo, através do diagnóstico clínico, irá identificar as causas dos problemas de aprendizagem. Para isto, ele usará instrumentos tais como, provas operatórias (Piaget), provas projetivas (desenhos), EOCA(Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem), anamnese.
Na clínica, o psicopedagogo fará uma entrevista inicial com os pais ou responsáveis para conversar sobre horários, quantidades de sessões, honorários, a importância da freqüência e da presença e o que ocorrer, ou seja, fará o enquadramento. Neste momento não é recomendável falar sobre o histórico do sujeito, já que isto poderá contaminar o diagnóstico interferindo no olhar do psicopedagogo sobre o sujeito. O histórico do sujeito, desde seu nascimento, será relatado ao final das sessões numa entrevista chamada anamnese, com os pais ou responsáveis.


5. O diagnóstico é composto de quantas sessões?
Entre 8 a 10 sessões, sendo duas sessões por semana, com duração de 50 minutos cada.

6. E depois do diagnóstico?
O diagnóstico poderá confirmar ou não as suspeitas do psicopedagogo. O profissional poderá identificar problemas de aprendizagem. Neste caso ele indicará um tratamento psicopedagógico, mas poderá também identificar outros problemas e aí ele poderá indicar um psicólogo, um fonoaudiólogo, um neurologista, ou outro profissional a depender do caso.

7. E o tratamento psicopedagógico?
O tratamento poderá ser feito com o próprio psicopedagogo que fez o diagnóstico, ou poderá ser feito com outro psicopedagogo.
Durante o tratamento são realizadas diversas atividades, com o objetivo de identificar a melhor forma de se aprender e o que poderá estar causando este bloqueio. Para isto, o psicopedagogo utilizará recursos como jogos, desenhos, brinquedos, brincadeiras, conto de histórias, computador e outras situações que forem oportunas. A criança, muitas vezes, não consegue falar sobre seus problemas e é através de desenhos, jogos, brinquedos que ela poderá revelar a causa de sua dificuldade. É através dos jogos que a criança adquire maturidade, aprende a ter limites, aprende a ganhar e perder, desenvolve o raciocínio, aprende a se concentrar, adquire maior atenção.
O psicopedagogo solicitará, algumas vezes, as tarefas escolares, observando cadernos, olhando a organização e os possíveis erros, ajudando-o a compreender estes erros.
Irá ajudar a criança ou adolescente, a encontrar a melhor forma de estudar para que ocorra a aprendizagem, organizando, assim, o seu modelo de aprendizagem.
O profissional poderá ir até a escola para conversar com o(a) professor(a), afinal é ela que tem um contato diário com o aluno e poderá dar muitas informações que possam ajudar no tratamento.
O psicopedagogo precisa estudar muito. E muitas vezes será necessário recorrer a outro profissional para conversar, trocar idéias, pedir opiniões, ou seja, fazer uma supervisão psicopedagógica.

8. Como se dá o trabalho na Instituição?
O psicopedagogo na instituição escolar poderá:
- ajudar os professores, auxiliando-os na melhor forma de elaborar um plano de aula para que os alunos possam entender melhor as aulas;
- ajudar na elaboração do projeto pedagógico;
- orientar os professores na melhor forma de ajudar, em sala de aula, aquele aluno com dificuldades de aprendizagem;
- realizar um diagnóstico institucional para averiguar possíveis problemas pedagógicos que possam estar prejudicando o processo ensino-aprendizagem;
- encaminhar o aluno para um profissional (psicopedagogo, psicólogo, fonoaudiólogo etc) a partir de avaliações psicopedagógicos;
- conversar com os pais para fornecer orientações;
- auxiliar a direção da escola para que os profissionais da instituição possam ter um bom relacionamento entre si;
- Conversar com a criança ou adolescente quando este precisar de orientação.

9. O que é fundamental na atuação psicopedagógica?
A escuta é fundamental para que se possa conhecer como e o que o sujeito aprende, e como diz Nádia Bossa, “perceber o interjogo entre o desejo de conhecer e o de ignorar”.
O psicopedagogo também deve estar preparado para lidar com possíveis reações frente a algumas tarefas, tais como: resistências, bloqueios, sentimentos, lapsos etc.
E não parar de buscar, de conhecer, de estudar, para compreender de forma mais completa estas crianças ou adolescentes já tão criticados por não corresponderem às expectativas dos pais e professores.

Simaia Sampaio
(http://www.psicopedagogiabrasil.com.br/a_psicopedagogia.htm - acessado em 12/03/09)


Alguns Disturbios:

» Discalculia – Dificuldade em compreender cálculos
» Dislexia - é um distúrbio na leitura afetando a escrita
» Disgrafia – é também chamada de letra feia. Isso acontece devido a uma incapacidade de recordar a grafia da letra. Ao tentar recordar este grafismo escreve muito lentamente o que acaba unindo inadequadamente as letras, tornando a letra ilegível.
» Disortografia – Até a 2ª série é comum que as crianças façam confusões ortográficas porque a relação com os sons e palavras impressas ainda não estão dominadas por completo. Porém, após estas séries, se as trocas ortográficas persistirem repetidamente, é importante que o professor esteja atento já que pode se tratar de uma disortografia.
» Disartria - Tem como característica principal a fala lenta e arrastada devido a alterações dos mecanismos nervosos que coordenam os órgãos responsáveis pela fonação.
A disartria de origem muscular é resultante de paresia, paralisia ou ataxia dos músculos que intervêm nesta articulação.
A disartria pode ter origem em lesões no sistema nervoso o que altera o controle dos nervos provocando uma má articulação.
» TDAH - Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade - Geralmente é apontada como desorganizada pelos professores. Quando começa uma atividade quase sempre não a faz ou deixa pela metade, interessando-se por outra e depois por outra e assim nunca conclui o que começou, prejudicando sua aprendizagem. Por não conseguir terminar suas tarefas, não parar quieto na sala, mexer com todo mundo atrapalhando a aula, é bombardeada por palavras desagradáveis seja por partes dos professores ou colegas.